Terça-feira, Janeiro 10, 2012

A Maçonaria - parar para pensar

Compreendo que toda esta questão seja melindrosa e faça confusão a muitas pessoas. Quando não se sabe ao certo em que é que algo consiste, associá-lo à descrição de «sociedade secreta» torna tudo ainda mais confuso, esotérico e misterioso. Mas a verdade é que existem inúmeros livros e sites que nos falam sobre o que é a Maçonaria, as suas origens, a sua história.

Como em tudo nesta vida, nem sempre os propósitos de uma organização ou filosofia são servidos e cumpridos por aqueles que dela fazem parte. Vejamos o caso da Igreja Católica com os seus inúmeros casos de pedofilia. Seria correcto afirmar que todos os católicos são pedófilos? 

Tornar obrigatória a declaração de se ser maçon é um retrocesso gigante na defesa dos direitos e liberdades do indivíduo. Alguma vez algum deputado ou cidadão comum, para exercer as suas funções, teve de se afirmar enquanto católico, protestante, espírita, homossexual ou benfiquista?

Serão os maçons os únicos que se reúnem para discutir seja o que for? Não há variados grupos das mais diversas crenças e filosofias, que se reúnem habitualmente à porta fechada? Sabe toda a gente onde eles se encontram?
Não estou com isto a afirmar que de facto não se utilize a Maçonaria com outros propósitos, que a cumplicidade entre os que dela fazem parte e a entreajuda entre estes não se estenda a outros campos, como os da política e os do negócio. Mas partir do pressuposto que por isso mesmo toda a gente tem de dizer se é ou não maçon, parece-me errado. A própria Maçonaria, interessada em defender as suas regras e os seus verdadeiros valores devia controlar o teor dos encontros e conversas, de forma a que do seu seio não tivessem origem trocas de influência e favores políticos. 

Não nos iludamos. Ainda que a Maçonaria terminasse, repentinamente, todos aqueles que a utilizam com outras intenções, poderiam continuar a encontrar-se nos mais variados locais para promover os seus negócios ou esquemas. Aliás, quantos não o fazem já, mesmo sem serem maçons?

Percebo que em Democracia a transparência e a privacidade de cada um devem estar em harmonia. Se há algum maçon que, no seu papel político ou profissional comete um erro grave ou demonstra falta de ética, profissionalismo, ou põe em causa a instituição ou empresa que serve, deve sofrer as adequadas consequências. Como aliás toda a gente. 

A ignorância e a obscuridade já mataram muita gente. A ganância e a sede de poder também. Perseguir todos aqueles que se revêem nos valores da Maçonaria, seria regressar aos tempos (não muito antigos) em que se destruíam famílias e se arruinavam carreiras e vidas. 

Como a do meu bisavô, Alberto da Silva Sanches, pai da minha avó materna. Nascido em S. Tomé e Príncipe, estudante em Coimbra, perseguido, atormentado, espoliado dos seus bens (roças de cacau em S. Tomé) que ficaram na mão das famílias de governantes do Estado Novo, afastado do seu cargo de tesoureiro da Caixa Geral de Depósitos, acabou por não conseguir alimentar os seus filhos e vê-los crescer, tendo sido morto a 2 de Novembro de 1932 na estação de comboios do Rossio.

Se ele era um homem mau? Duvido. Sei que entregava o seu agasalho a quem estivesse com frio.

2 apetitosas trincas:

Quel* disse...

Eu sinceramente nao percebo o porque de tanto alarido em volta deste questão. Os media estão a fazer disto um bicho de sete cabeças. Não percebo...

Alberto T Fonseca disse...

Foi muita coisa escondida, abafada, muitos factos distorcidos e estigmatizados, pessoas perseguidas, com os sempre presentes políticos oportunistas e aproveitadores que se beneficiaram e causaram muito sofrimento a inocentes, numa época de caça às bruxas, comparável aos tempos da inquisição... que quererem fazer renascer de vez em quando....