Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Fim

Despeço-me e deixo-vos isto:


Pode ser que regresse, que renasça, pode ser que seja apenas um dia muito muito mau.

Sou aquela, que há-de ter inscritas as palavras «Knocking on heaven's door» na sua lápide, daqui a muitos anos, esperemos.

Raquel

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Ivete Sangalo e Xutos&Pontapés no Rock In Rio. Uau, que novidade.

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

400 and twisting

Este é o post número 400, e só o menciono, claro, por ser um número redondo e porque não me apetece esperar por outros 100, para «festejar» os 500 posts do asinhas...

E aqui fica esta música, porque o dia me correu bem, e porque adorava dança-la um dia destes, e porque a minha Mãe adora o TWIST!!

Domingo, Janeiro 31, 2010

Corações exaustos

Os corações também ficam exaustos, mais exaustos que pernas e mãos trémulas em longas caminhadas pelas cidades envelhecidas, cinzentas e frias. Os corações gritam mais alto que a nossa voz, e sentimos arranhar o peito, por dentro, pois só dentro de tudo se pode sentir algo. Só dentro, no espaço guardado para as lágrimas que antes de escorrerem, líquidas, no rosto, são pequenas nuvens num frasco fechado, com a etiqueta de peito, no peito.
Exaustos dos dias, das gentes e das coisas. Das paredes brancas, dos tectos falsos, que desabam sobre nós como lâminas em forma de chuva. Exaustos das gentes rudes e que nos olham com olhos de quem não quer ver nem escutar, com olhos de quem quer mastigar-nos o resto de alma que pretendíamos guardar para eles. Exaustos do mundo, dos pássaros a sobrevoar o céu, do céu que deixamos de ver como a esperança maior um dia a alcançar.
Ficam exaustos da vida. De bater. Ou haverá maior tristeza que essa, de nos deitarmos nos braços longos e esguios da noite e percebermos que esse é o maior colo que nos acalenta?

Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Faz hoje um ano

que foi o lançamento do primeiro livro onde o meu nome está impresso. Faz hoje um ano que este dia me fez acreditar que era possível e que nenhuma palavra é em vão. Pelo menos aquelas que são feitas para sobreviver ao rachar do tempo e ao caminhar da vida.

Se alguém estiver interessado, é procurá-lo por aí, em livrarias (Bertrand, apostaria) ou encomendar aqui: http://www.saidadeemergencia.com/index.php?page=Books.BookView&book_id=379

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

É muito triste quando as pessoas não nos conhecem. Pior, quando as pessoas não nos conhecendo, se tentam convencer a si mesmas de que afinal somos outra coisa. Não, simplesmente nunca nos conheceram ou se deram a esse trabalho, pelo que, na distância e na dor, na mágoa e no rancor, vislumbram em nós aquilo que quase desejam que fossemos, para melhor desculpar e perceber o seu próprio sofrimento.

Eu não exijo nada, não posso exigir paciência, respeito (o respeito conquista-se, não se exige), não posso implorar nem mendigar que as coisas sejam desta ou de outra forma. Mas posso decidir aquilo que não quero ouvir e aquilo que quero dizer, por todo o tempo que ouvi calada e por todo o tempo que calei o que ouvi. Por isso, posso ficar magoada com o que bem entender e decidir, à minha maneira, como reagir a isso. E a minha maneira é sempre a mesma. É a única: a verdadeira.

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

Tem de ser assim

Não podemos apagar da memória nada que nos tenha feito lembrar que somos assim. Quem somos.

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Desisto

Desisti. Estou cansada de ser saco de pancada, estou cansada de ser cobrada, estou cansada de andar ao sabor dos altos e baixos de outros, como se os meus, por si só, já não bastassem.
Além do mais, eu «não valho tanto».

Domingo, Janeiro 24, 2010

Uhuh

Pois bem, depois de uma odisseia que começou com dores no corpo, temperaturas baixas, dores de garganta, mega constipação, antibiótico para infecção dos seios peri-nasais, vómitos e náuseas durante 3 dias por causa do mesmo antibiótico, deixar de o tomar, estar com umas dores de cabeça daqui até ao outro lado da rua, só mesmo isto para compôr o ramalhete:

- Esperam-me uns 60 trabalhos para corrigir sobre a ONU.

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

Pois é... vou passar a galinha do mato.

Vou para Moçambique trabalhar.












Oh não, quem é que me acordou?? Um dia ainda escrevo isto aqui.

Terça-feira, Janeiro 19, 2010

Enganam-se...

Todos aqueles que não resistem a deixar sair um «é só saúde...!», estão redondamente enganados. Se há pessoa sempre doente, sou eu. Se alguém tiver para a troca, tenho cromos de:
- sinusite;
- quase septicémias;
- gastroenterites virais;
- meningite;
- sinusite;
- otites;
- virose;
- sinusite;
- doenças do foro psiquiátrico (esta é para rirmos um boadinho);
- dores de cabeça que parecem marteladas.

E sim, eu como legumes e bebo sumos de fruta. Mãe, vai reclamar na loja e diz que eu vim com defeito sff.

Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

Bipolar, eu?

Não. Tripolar talvez.

Domingo, Janeiro 17, 2010

«The road»

A bondade comove-me. A delicadeza do amor, os seus momentos rudes, a dedicação. A bondade nos gestos, no fazer acreditar, a bondade das palavras. Do olhar. Duas mãos que se tocam para acreditarem juntas, para vencerem juntas. Dois olhares que se cruzam e pressentem a dor um do outro.
A bondade, a grandeza desta grande virtude, comove-me, faz-me cair lágrimas em pares, pela densa dor que me faz sentir no peito. Não sei se pena dos bons perante a maldade da vida e dos homens, não. Identifico-me. Porque se há coisa que quero ser é boa. Para com todos, mesmo para com aqueles que um dia me odiaram. Mesmo para com aqueles que me magoaram. Se um dia matasse um homem, carregada de ódio, por ter ferido um dos meus, pediria pela sua alma todos os dias.
E do filme que dá nome a este post, ficou esta frase, de um pai, sobre o filho (vai em português, porque a nossa língua é bem mais bonita):
«e se ele não é a palavra de Deus, então Deus nunca falou».

Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

Quando tudo começa a ficar mais calmo

e eu começo a conseguir respirar sem dor, acordo e, ainda na cama, penso:
«Como é que eu vou arrumar os meus livros, tê-los por ordem alfabética dos apelidos dos autores não chega, já tenho muitos fora do sítio, separo a poesia da prosa? Os portugueses dos estrangeiros?»
Uma pessoa tem de começar a pensar nestas coisas quando sabe que vai ter mais uns quantos livros, vindos directamente de casa da Avó, onde estão fechados livros e livros do Tio Avô, e quando sabe que a Tia Madalena, que vai para Macau, também tem lá uns para mim.

Quinta-feira, Janeiro 14, 2010

Se fosse a ti punha-me a pau...

Olha São Pedro, é bom que depois deste Inverno rigoroso, de frio e cargas de água momumentais, o próximo Verão seja digno desse nome, e seja de muito calor e céu limpo, com noites em que não corre uma aragem e a malta anda quase nua.
Sim, é uma ameaça.
E é bom que deixes de fazer a terra tremer só para mostrares que a tua Natureza é mais forte que o Homem, porque todos sabemos disso, e tens sempre de ir desgraçar a vida daqueles que já são desgraçados e quanto a isto também havemos de acertar contas.

Terça-feira, Janeiro 12, 2010

Para todos aqueles que fazem o sinal da cruz

e não sabem, nem de perto nem de longe, que os ensinamentos de Deus, de Jesus, de quem quiserem, tinham que ver com duas ou três coisas muito simples: AMOR, ACEITAÇÃO E PERDÃO, e que por isto mesmo ninguém vai arder no Inferno, mesmo que algumas almas menos iluminadas como a atrasada mental da miúda de 16 anos com quem tive um bate boca, merecesse ficar durante muito tempo no limbo.
Gente que nem sequer pode votar (por algum motivo, está bem querida?) a escrever cheia de ódio sobre homossexuais e sobre o casamento entre eles e a tentar dar-me lições de Direito, quando aquilo que ela estava era a reproduzir a merda (peço desculpa às ilustres tias e amigas mais velhas que cá vêm) que ouve em casa. Gente que fala no casamento católico e que é praticante e diz coisas como «se fosses lésbica tinha pena» e que tem esta conversa com pessoas que não conhece de lado nenhum, estando-se nas tintas para saber se fere ou não a susceptibilidade de quem a está a ler. No meu caso não fere, mas a resposta da menina quanto a essa questão foi simples «se fosses lésbica, tinha pena». E tu, se estivesses à minha frente levavas o maior par de estalos da tua vida.
Rematei a conversa com este ser com isto «ainda bem que aprendeste alguma coisa na catequese».
É que eu até acredito em Deus, mas não deve ser o mesmo. Odeio preconceito gratuito e hipocrisia. Aposto que também é contra o aborto, mas queria ver a menina chegar a casa de esperanças e era ver os paizinhos a agendar logo um (então querida, assim toda a gente vai saber que a menina teve relações sexuais antes do casamento, nem pensar, assim já não pode ir para Londres tirar o seu curso superior!).
Amén.

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

E depois há alturas

em que penso que deveria ter-me licenciado em engenharia informática, design ou marketing, porque só chovem é ofertas de emprego dessas áreas e a minha é tão mais abrangente, tão mais cultural, tão mais intelectual que tem o seguinte resultado: permite-nos fazer muita coisa e não fazer nada também.
Não, não estou arrependida.

Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

É por tudo isto

que eu tento proteger muito bem o meu coração, e às vezes pareço fria e desprendida e desligada. É que por muito que tente fazer sempre o bem, acabam sempre, em alguma parte da história, ou em várias, por nos fazer o mal.
E o meu coração é pequeno, é frágil e é medricas. O meu coração quando se sente em perigo começa a apertar-me muito, e a pôr para fora as suas mil e quinhentas armas de protecção improvisadas.
É por isso que eu tento proteger muito bem o meu coração. Porque ele é muito grande mas é deficiente, já lhe arrancaram algumas partes, umas das quais desde os dois anos de idade. É como os meninos gordos da escola, é grande e chega para abraçar todos, mas há sempre gente má que goza com ele e o faz chorar num canto da escola. E é por isso que alguns meninos gordos ficam com fama de maus. Porque têm o ego pequeno e precisam de se defender.
E por muito que eu tente fazer sempre o bem, há sempre alguém que me faz o mal.
E agora leiam mas é o que está aqui em baixo, porque isto para uma sexta-feira é muito mau.

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

Mestre (quase, vá)

Dentro de um exame, três trabalhos e... uma tese, o Mestrado está feito. Vamos ser positivos, dentro de um exame e três trabalhos já sou pós-graduada. Uma tese e sou Mestre (da culinária também).
E depois de 25363463 anos a estudar, posso deixar de queimar pestanas (mas eu não tenho pestanas queimadas, porque será? «Porque és inteligenteeee!» dizem vocês em coro).
Depois disto só outra licenciatura ou o doutoramento, ou uma pós-graduação. Ou outro mestrado. Ou nada, vai depender da metereologia e do quão rica vou ser.
Quem não perceber o vídeo é um ovo podre. Eu poderia ser aquele que adormece (caso isto se tratasse da licenciatura), e hei-de tornar-me se deus todo poderoso assim o quiser, naquele que explica.

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Apetece-me ser presunçosa

Deus quer que eu seja escritora.
Mais importante que isso: eu também, por isso vou fazer-lhe a vontade.

Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Factor C

Deus, por favor, faz com que surja uma hiper mega fantástica oportunidade de emprego, daqueles em que tenho de me levantar às 8h e chegar a casa às 18.30h, no qual eu possa aplicar as minhas capacidades académicas, e demonstrar a minha inteligência abstracta e emocional (esta última é um bocadinho mentira, vá), e escrever muito, sem ninguém me dizer o quê e resolver coisas e descobrir coisas.
Percebeste, Deus?
Eu gosto muito dos meus alunos que nem conheço, e de lhes responder a e-mails e corrigir trabalhos, mas eu consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Vá, agora vai lá falar com os teus connects e trata lá deste assunto.

Domingo, Janeiro 03, 2010

dois mil e dez, odisseia na vida.

Nunca fui de fazer grandes planos e delinear projectos, rabiscar sonhos, etc. No entanto, ao terceiro dia do primeiro mês do ano 2010, eu, R.L., portadora do Bilhete de Identidade número xxxxxxx, bem já chega, vamos lá ver o que eu gostava de fazer este ano:

- Uma bela tese de Mestrado, mesmo que não queira, tem de ser e já que tem de ser, que seja bela e boa e que quando defendida publicamente seja avaliada com Muito Bom por unanimidade e que já agora me convidem a publicá-la na faculdade;

- Publicar um artigo académico, em breve julgo começar a trabalhar nisto (é sobre a Argélia);

- Acabar o livro que comecei a escrever;

- Organizar o meu livro de poesia e tentar publicá-lo;

- Colaborar em projectos literários;

- Participar em pelo menos dois concursos literários;

- Conseguir publicar a minha história para crianças;

- Frequentar este workshop de iniciação à gravura;

- Juntamente com a minha Tia Madalena (pintora) criarmos o nosso livro;

- Tirar um curso de alemão e se me sair o euromilhões, de francês;

- Ir à China, e de caminho conhecer o Vietname e Tailândia;

- Continuar a investir na escrita e talvez fazer um curso de ficção ou oficina de personagens, certamente que aqui;

- Manter o trabalho que tenho, de «professora assistente» em sistema de e-learning (e sei que o vou manter pelo menos este 2º semestre);

- Arranjar outro trabalho além do de cima;

- Aumentar a minha biblioteca - quem quiser, pode contribuir;

- Engordar.

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

Adeus,

2009. Que o teu último dia, seja sempre o primeiro do resto da minha vida. Como todos os outros dias. Os primeiros. Do resto da minha vida.
Um de cada vez, como sempre, como todos os dias.

Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Quando é que me vens buscar,

Pai?

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

Cicatrizes

A minha cicatriz no tornozelo ainda faz comichão, e de vez em quando sinto umas pontadas. Acho que é como todas as cicatrizes. Por muito que o sangue já não escorra, e a carne já esteja bem protegida pela pele, ficam as marcas. Marcas que dão comichão e onde se sentem agulhas a picar.

Nada fica no lugar

Nada fica no lugar
nem lembraças
nem memórias
passados
agarrados na pele,
a suar

venceremos o corpo dorido
o olhar cansado
a vista a querer descansar
o tempo a querer parar
a querer passar

passar
passar

vamos gritar
que nada fica no lugar
a não ser nós,
estátuas imóveis
erguidas
sofridas
pintadas de branco
rachadas pelo vento
ou será o tempo
a querer passar?

Sábado, Dezembro 26, 2009

Raquel

No silêncio das palavras
guardadas
ela chora lágrimas
de papel.

Procura na vida toda
algo de maior,
verdadeiro,
que não magoe nunca mais Raquel.

Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Deixa doer o tempo dentro de mim

Deixa doer o tempo dentro de mim.
Eu sinto o que sei de verdadeiro, mesmo que não pareça assim.
Eu desdobro, eu grito, eu vocifero, eu firo, eu atiro, eu gelo.
Mas no meu peito caberão sempre os que também me doeram.

Cada um dá o tamanho que quer ao que quiser

Às vezes tenho vontade de escrever algo verdadeiramente grandioso. Verdadeiramente belo. Que toque em todos os corações, mesmo aqueles que são meio alérgicos a coisas grandiosas ou apáticos, tal foram os estaladões que a vida lhes deu.
De vez em quando, tenho vontade de gritar, em palavras (como mais poderia ser?), todas as coisas que sei, todas as coisas que julgo saber, que tenho não tendo. Gritar a ausência, o contentamento e a saudade. Gritar a dor, a liberdade. Gritar-me. E que isso seja algo verdadeiramente grandioso, que faça rir, chorar, que faça querer copiar, que inspire, que faça respirar de novo.
São dias, momentos, em que me apetecia abraçar todos, deixar-lhes palavras líquidas ao ouvido, sussurrar-lhes poemas ao umbigo, pela telepatia das palavras, dar-lhes força, coragem e dizer que também sei dessas dores, desses amores.
Eu acho que tudo quanto é grande deve ser partilhado. Mesmo quando afinal não é verdadeiramente grandioso. Nem grande. Nem verdadeiro.
Aquela sensação de ler por detrás das palavras. Em que vemos as letras alinhadas mas sentimos no peito aquele sinal de que nos estão a ler a nós e não o inverso. Aquele sinal de que «poderia ter sido eu a escrever isto». O não estar só na imensa solidão.
Enfim. Quis partilhar isto. E verdadeiramente grandioso não existe. Cada um dá o tamanho que quer ao que quiser.

Terça-feira, Dezembro 22, 2009

Eu gritei

Das minhas mãos
eu gritei

delas eu me esqueci
quando de ti me lembrei

na rouca voz de quem dorme
cantei o poema mudo

sem dizer nomes
eu disse tudo.

Das minhas mãos
eu pedi

ó meu corpo
não sofras assim

do coração ele falou
na cabeça se apoiou

e disse, calmamente,
eu estou aqui para ti.

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Quando eu for grande, peço à minha Mãe que me deixe namorar com ele...


E por falar em Mãe, amanhã estamos todas contigo, em força. Olha só para ti a dar cabo disso!

Domingo, Dezembro 20, 2009

Estava a pensar em

escrever aqui o balanço do ano, mas não me apetece, para além de que ainda me pode sair o euromilhões.
Espero, sim, que esta seja a última constipação com febre à mistura do ano, se não for pedir muito, dos próximos anos. E se alguém por aí estiver a pensar «é bem feito, castigo», cuidado que ainda leva com um piano na cabeça e racha o crânio.
Agora vou dormir, que para além de andar com a moca da medicação para a constipação, ter o nariz em ferida a precisar de descansar, amanhã ainda vou para o voluntariado espalhar micróbios.
Mas eles gostam de mim à mesma. Os micróbios e os miúdos, pois claro.

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

«behind my smile is my I.Q.»


Também pode ser ao contrário...

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

A única coisa que me abala realmente

não são sismos e tremores de terra, porque, milagrosamente, ontem estava a dormir profundamente àquela hora. O que me abala profundamente e, correndo o risco de me tornar repetitiva, é um novo tipo de pessoa que encontrei na minha vida: gente mentirosa que não mente, gente cínica que o não é, gente que nos adora profundamente e que sempre que tem uma oportunidade (daquelas que mais ninguém topa, claro está), faz o favor de se esquecer do nosso nome, de quem somos, de onde estamos e do que sentimos. Estão a ver?
Por isso: You don't know me, the way you really should, you sure misunderstood, dont' call me baby, you got some nerve, and baby that'll never do, you know I don't belong to you. It's time you knew I'm not your baby, I belong to me, so don't call me baby.
Agora vão lá brincar na neve que ouvi dizer que também neva por aí.
E na verdade, aquilo que me abala realmente são os... 30 trabalhos que ainda me faltam corrigir?

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

Carta

Escrevo-te ao som de Guns 'n' Roses, Márai, engraçado como o tempo de todas as coisas se podem tornar numa só. Neste momento, em que te escrevo.
Precisava de conversar, sabes. E não encontro ninguém. Não são horas para falar com ninguém. Ainda para mais quando não se sabe sobre quê. Ou se sabe, mas é tão complicado exprimir que tudo pareceria um ataque qualquer de loucura.
Por vezes, não raras, acho que é mais fácil escrever-te do que falar com o melhor dos amigos. É como se estivesse a falar comigo. E faz bem falar connosco, não faz? Mas também faz bem gritar ao mundo quando temos o peito dilacerado. Mas eu perdi a voz. Perdi as lágrimas. Sabes, ainda hoje, na aula de escrita, uma das colegas escreveu um texto lindo sobre mim e sobre o meu Pai. Algo totalmente inesperado. Senti o nó na garganta, tive vontade de me levantar e ir chorar lá para fora. Mas fui tão senhora. Tão forte. Escutei tudo até ao fim sem a olhar, e apenas uma leve camada de água me toldou o olhar.
Agora sou assim, já viste? Agora as lágrimas correm todas cá dentro, como ácido que rasga os tecidos e os órgãos do meu corpo. Como sempre. Mas por dentro. Sem se ver.
Acho que tal como eu também te cansaste. Também deixaste de permitir que pisassem a tua sensibilidade e inteligência. À medida que o tempo passa vou aprendendo a protegê-las cada vez mais para que ninguém, por descuido ou falta de consideração, as pisem e voltem a pisar como se fossem folhas secas do Outono. Sei, ou melhor, quase que sei, que tal como eu, também te foste tornando mais duro com o tempo, mais intolerante com aqueles que te feriam, perdoando sempre, claro, mas não esquecendo. Não esperando que mudassem. Não fazendo nada para que mudassem. Não somos nós que temos de fazer com que mudem. Tal como eu, só esperas, no desespero, a chegada do dia em que tudo muda. Sem nunca acreditar muito nisso.
Voltando atrás... não respeitar a sensibilidade e inteligência de alguém é não compreender, é não se esforçar por compreender, é não ouvir estando a ouvir, é fugir, é desacreditar, é ferir sem sangue, é, trair a confiança. É fazer de nós parvos, tolos soltos pelo mundo, não ser leal. Fazer nas costas. Não admitir. É ser mau. É ser pobre. Entre uma e outra, julgo prezar mais que respeitem a minha inteligência e cuidem da minha sensibilidade.
E quando uma e outra vez me fazem sentir miseravelmente pequena, conhecendo-me, eu deixo de ser inteligente e sensível e deixo de saber agir, reagir. Deixo de achar que essas pessoas merecem que respeite igualmente a sensibilidade e inteligência delas. Porque ao fazerem-me isso, demonstram que não as têm.

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Na quarta-feira, eu vou...

A minha Tia Madalena (carregar no nome dela para ver algumas das suas gravuras) faz parte do grupo Água-Forte. Podem aparecer depois das 18h julgo, a entrada é gratuita no dia da inauguração.

A 1ª vez

Hoje (aliás, ontem, porque já passa da meia-noite) foi o meu primeiro dia de voluntariado. Um lar onde vivem bébés, crianças e jovens retirados das famílias (ou abandonados por estas) por motivos que desconheço e não tenho o direito de saber, a não ser que um dia, no meio de um colo ou de um abraço, ou simplesmente a meio de um jogo de playstation, ou quando lhes estiver a ajudar a fazer os trabalhos de casa, algum me queira dizer.
Não fiz o que era suposto fazer, dar explicações aos que precisam, estar com eles enquanto fazem trabalhos de casa para os ajudar, porque não foi preciso. Porque o que eles querem mais é um colo, um minuto de atenção mesmo que este seja a marcar-lhes um golo num jogo de futebol não jogado com os pés, mas com comandos, mesmo que seja a ver se está algum piolho a fazer-lhes comichão, descer as escadas de mão bem dada porque tem muito medo.
Ouvir, de crianças que me conheceram hoje, «estás com olheiras, dormiste pouco?». Despedir-me e essa mesma criança parar o jogo para me dar um beijo.
Ouvir «és loira, gosto de ti», enquanto me mexe no cabelo. Isto dito por uma miúda realmente loira de olhos claro. Eu até podia ter o cabelo verde. Não era a cor do cabelo que estava em causa.
E saí dali com o coração cheio. Porque recebemos muito mais do que damos.

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Basicamente, deve ser isto:

O amor aborrece-me.
Uma pessoa acha que encontra, esforça-se por acreditar que sim, tenta colocar de lado o cepticismo, tenta que resulte, explica como é que resulta para ela, desilude-se, perde a paciência, enerva-se, magoa-se, volta a explicar, volta a tentar, esforça-se novamente por acreditar, desilude-se, enerva-se, perde a paciência novamente, não se magoa, mas aborrece-se.
Que fixe que isto é...

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Como ficar um sábado, domingo, segunda e quase uma terça, sem sair de casa:

1 - Não, não precisam de arranjar uma enfermidade qualquer, nem sequer uma alergiazinha, daquelas de nada, que vos põe a espirrar duas vezes por minuto;

2- Não, não precisam de estar de gesso na perna, nem de canadianas, nem ter uma ordem médica de repouso absoluto;

3- Não, não precisam de ser viciados em torneios de jogos online em que não podem largar o PC;

4- Não, não precisam de não ter amigos e serem seres completamente à margem da sociedade;

5- Não, não precisam de ser ratos de biblioteca e estar trancados a estudar para um exame ou a fazer um trabalho (estava-se mesmo a ver eu a fazer isto, não estava?);

6- Não, não precisam de estar com uma bruta depressão em cima;

7- Não, não precisam de ter um hobby fantástico como criar formigas dentro de um aquário;

8- Não, não precisam de ter um cão bébé e não o querer deixar nem por um segundo;

9- Não, não precisam de se sentir monstruosos porque engordaram 543 kilos em dias e têm vergonha de sair (esta também não me parece que me tenha acontecido);

10- Não, não precisam de cumprir promessas de retiros domiciliários para meditação (uma casa com tanta mulher não me parece apropriado para tal);

11 - Não, não precisam de ter uma pulseira electrónica e estar condenados a prisão domiciliária e sair na terça feira para ir tribunal;

12- Não, não precisam de não ter roupa lavada para vestir;

13- Não, não precisam de ter perdido a chaves de casa e estar à espera que um familiar as venha entregar;

14- Não, não precisam de ser idiotas;

15 - Precisam apenas e somente, olhem tão simples, de querer estar aconchegados, ainda que irritados e com a neura, no vosso ninho. Precisam de ar livre dentro de casa, de respirar as paredes e pelas paredes, de não fazer nada, de atender telefonemas e dizer «hoje não», de querer estar com vós próprios, de querer, aliás, de precisar, pensar que o mundo é só ali e lá fora não é lá fora porque não existe. Precisam de aprender que os sítios interessantes, as melhores pessoas, as conversas mais fenomenais, os momentos mais divertidos, as descobertas mais fantásticas, o abrigo mais protector, as certezas mais estranhas, a companhia perfeita, está dentro de nós. Mesmo que com uma neura daqui até à Mongólia;

16 - Sim, precisam de ser um bocado idiotas. E estar um bocadinho deprimidos, e querer meditar. E querer acreditar em qualquer coisa.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Qual Rita Andrade, qual quê...!!

Porque as minhas asinhas de frango têm um sabor autêntico, fica ali do lado direito o sítio onde depois podem procurar aqui pelo galinheiro e... dar uma apetitosa trinca, ou seja, votar (lá a partir de Fevereiro), que é isso que interessa, ou não, porque eu até tenho espírito natalício e fair-play e, no fundinho, sou uma frangalhota.

De qualquer modo, cara Super Bock, aqui fica a prova provada de que para além de frangalhota, tenha uma pinta de todo o tamanho (tipo as galinhas do mato, que são cinzentas com pintas) para publicitar a vossa marca...





E quem diz a vossa marca de cerveja (já estou a ouvir aquela música por trás desta imagem, tipo a publicidade que passa no cinema), diz também uma marca de produtos para cabelo ou ainda um desodorizante (olhem-me para aquelas axilas). Vistas bem as coisas também poderia ser para um dentífrico branqueador, um bronzeador... só não poderia ser para um bikini nem para uma dessas casas onde se vai à faca.

E agora chega de brincar às meninas convencidas que tenho trabalhos para corrigir.

Sábado, Dezembro 05, 2009

Apetece-me estar sozinha

Apetece-me estar cegamente sozinha. Não ver, não ouvir, não falar. Só ouvir-me, escutar-me por entre o silêncio das paredes e por entre o silêncio do coração que bate.
Apetece-me estar cegamente sozinha e não ver mais. Não querer mais. Não fingir querer mais. Quero chegar-me. Chegar-me para que possa ser de novo. Não quero projectar-me em ninguém, em nada. Estou cansada.
As coisas não mudam. Ninguém muda. Eu também não vou mudar.
Eu quero descansar. De mim.

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Sabem o que é que é mesmo giro, giro, giro?

É o vosso blogue ser lido pela mãe da namorada do vosso ex-namorado.

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Quero muito, vá lá, vá lá, pleaseeeeee!! (olhinhos a piscar!)

Já que não posso ter este touro em casa...


quero este... e se fosse menina chamava-a de Julieta...


Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Querida Mãe e Irmãs e tal... ups, queria dizer Pai Natal!

Estamos a 24 dias do Natal e porque muita mulher junta dá dor de cabeça para pensar no que oferecer, Pai Natal, eu facilito-te o trabalho e deixo aqui uma lista de coisas que eu preciso ou gostava mesmo de ter. Vai assim mais ou menos em prioridade, com fotografia e sítio onde se pode arranjar, que eu sei que estás a ficar velhote e resmungão!


1- este presente é para dividires com as renas...



http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=04254057&oid=&c=

ou...


http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=04265816&oid=&c=



2 - o meu já estava todo escavacado e uma garrafa de água que se entornou na mala fez o resto...



http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=04335053&oid=&c=

3 - a Antologia Poética dele (Ramos Rosa) ou dele (Herberto Hélder)...


4 - porque tenho as outros e também quero esta (série 4)


http://www.fnac.pt/pt/Catalog/Detail.aspx?cIndex=2&catalog=dvdVhs&categoryN=Filmes&category=dvdSeriesTVDrama&product=8414533061322

5- são agradecidas camisolas de Inverno, gola alta ou não, brincos da pedra dura!

6 -

Swatch Core Collection - Croiassant Chaud GE700 Originals

E PORQUE HOJE TAMBÉM É O DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA A SIDA, DEIXO-VOS O SITE DA ASSOCIAÇÃO SOL, PARA CRIANÇAS COM HIV/SIDA, ONDE AS MINHAS IRMÃS JÁ FIZERAM VOLUNTARIADO, E QUE TEM CRIANÇAS QUE CONHECEMOS HÁ ALGUNS ANOS, PARA QUE POSSAM CONTRIBUIR DA FORMA QUE PUDEREM, PODE SER AJUDA MONETÁRIA OU EM GÉNEROS: http://www.sol-criancas.pt/?idc=17

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Continuação do post anterior...

Há pouco perguntei à Clara se queria ir comigo regar as plantas e flores à varanda... Olhou para umas e disse «estas parecem daquelas plantas mamíferas!!»

Domingo, Novembro 29, 2009

Da minha sobrinha Clara...

Estávamos a «brincar às entrevistas», ela entrevistava-me, sendo que eu não estava a assumir nenhuma personagem, era eu mesma. Levanta-se, «temos aqui um dos seus alunos, 44 anos, homem» - faz voz grossa e começa a falar, interrompe para me dizer «tem sotaque».
Eu pergunto sotaque de onde? Do Alentejo, Algarve, Açores, Porto? Ela: «eeerr... sotaque português!!!»

PS.: Elegeu-me como a tia mais inteligente, sensível, divertida e mais parecida com ela na forma de ser!

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Sabe sempre bem ouvir estas coisas, mesmo que...

sejam ditas no bairro alto, por um homossexual meio alegre.
De braço dado com uma amiga vieram em direcção a mim, diz ele (algo do tipo, é que foi tudo muito rápido):
- Ai, desculpa mas eu tenho de dar um beijo a esta rapariga! És linda, linda linda, mas que bonita.
(Pára, olha para a amiga, mãos na cintura e continua):
- Desculpa, tu és nojenta de bonita, nojenta. Dá vontade de dar bofetadas! Nunca vi nada assim!
(Enquanto isto, a amiga toca-me no cabelo e diz «é sensual!» e «e eu não sou lésbica!»)
E pronto.
Será que ele estava consciente?

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

O amor não é cego

O amor sofre de amnésia.
O meu não. O meu é lúcido. É tão lúcido que chega a questionar a sua própria existência.
Não me venham falar de sinos a tocar, ou de borlobetas, louva-a-deus e outros bichos que tais na barriga, do para sempre, do à primeira vista.
Também não me venham dizer a frase que me dá cólicas: «dizes isso porque nunca gostaste/amaste a sério de ninguém», pois sou bem capaz de responder «pois é, e é muito provável que isso nunca venha a acontecer.».
Não, não sou misantropa, não desejo o fim da humanidade e muito menos a expressão do ódio (mesmo que isto não tenha nada a ver com misantropia, que se lixe). Toda eu sou poesia, sensibilidade e amor. Mas não é desse dos trezentos, sem garantia, com prazo de validade a acabar na semana que vem, com livro de instruções só em chinês, com defeito e metido nos cestos de 1 euro.
O meu amor é outro. É pelas coisas grandes. Grande não quer dizer tamanho. Nem comprimento. Nem largura. Grande tem que ver com a verdade. E eu gosto de coisas verdadeiras. Não gosto de brincar aos contos de fadas e aos dramas do Sparks (ainda bem que nunca li nada dele, ufa), não gosto de dizer palavras por dizer, nem de as ouvir em vão. Eu gosto da verdade simples. Que está escrita nas mãos. E mesmo que o amor fosse cego, haveria sempre o tacto.
Mas eu ainda não me encontrei. Já me descobri, mas não me encontrei. Por isso não sei o que é verdadeiramente grande (verdadeiro). Verdadeiramente verdade para que eu possa encostar a cabeça e adormecer sem medo.
É que eu não gosto nada de me enganar. Só nas contas de matemática, ou apanhar o autocarro errado.

A minha cidade

A minha cidade é feita de janelas
e entre elas
há sempre uma alma dorida
ao som da música da vida
não vivida.

Ela é quente, é fria
e quando arrefece,
a gente toda junta se arrepia
com o fado
cantado em agonia.

Nela
o silêncio vibra,
as estátuas erguidas pelos mortos.
É feita de poetas amantes
e amantes cantores
e todos gritam
roucamente

o elogio
desse amor doente.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Só assim para aumentar visitas e tal

que a malta gosta é disto, e acho muito bem:

Está na altura de voltar a ter as garras neste estado (se bem que não dá jeito nenhum, então para teclar no PC ou enviar mensagens do telemóvel, é preciso pontaria), não me enervem senão não consigo!!


P.S. Sei que não se vê nada, a não ser uns dedos ossudos com as pontas vermelhas.


Sábado, Novembro 21, 2009

Em dias como este

Em dias como este, o meu peito emigra para longe, voa até sítios onde não mais me dói a alma. Em dias como este, imagino a vida a anos-luz de mim, como se estivesse presa dentro de um qualquer quadro, obra de arte, dissolvida na palete de cores, nos traços e no gesto que o pincel simula.
Em dias como este, vejo-me, cego-me talvez, na minha pequena casa, de decoração clássica mas acolhedora, os móveis de madeira, os cremes, os castanhos, o sofá onde me recolho, os livros, a letra R. feita pela Tia Madalena emoldurada bem em cima do meu canto predilecto, aquele perto da janela, com um candeeiro de pé alto, almofadões, um cadeirão, e o pequeno móvel dos livros favoritos. A mesa onde escrevo. A mesa onde deixo de ser eu para ser eu. A mesa onde morro para renascer em cada letra, a cada verso, a cada medo de rasgar a página.
Em dias como este aqueço dentro de mim todos os que ficam pelo bem que me fazem. Aqueço todas as boas recordações, porque na palavra recordações só as boas cabem.
Voltar a ter medo de não ser feliz. A vida não nos pode conformar, pois não?
Nem que eu demore anos e anos de dias como estes a provar isso a mim mesma.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Porque eu também gosto de hip-hop «tuga»

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Um dia destes

Um dia destes digo que vou comprar tabaco e nunca mais volto.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

O meu jardim «interior»

Hoje rumei ao IKEA e não, não foi para comprar móveis nem sofás, nem candeeiros, nem mesas ou material de escritório. Fui porque me parecia o sítio mais perto/completo no momento, para comprar plantas, flores e coisas do tipo. Vim de lá com 3, depois fui comprar terra e amanhã trato dos vasos, das mudanças e de embelezar a varanda.
Gosto muito de cuidar de plantas e de flores, de mexer na terra, semear, regar, vê-las crescer. Sinto-me leve, como se estivesse verdadeiramente a cuidar de alguém que sente. Até falo com elas, mesmo que seja para dentro e ninguém me ouça. Gostava de ter uma estufa...
Gostava que cuidassem de mim como se fosse uma planta.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

q.b.

Sou sonhadora. Mais do que sonhar, gosto de ter delineados, esboçados, alguns objectivos, projectos que vou construindo na cabeça, que gostaria de ver realizados a médio/longo prazo. Planos, pequenas ou grandes coisas, não importa. Lembro-me de há uns tempos, ter dito a mim mesma que em 2009 publicava a primeira coisa. E aconteceu, logo em Janeiro, convidaram-me a participar numa antologia de poesia. Na altura, a excitação do momento, a alegria, o sentimento de que «é possível», acabaram por ofuscar um pouco a nitidez e a clareza de que de facto, tenho planos, tenho projectos, e num misto de luta, sorte e verdadeiro amor, eles são realizados.
O lado bom disto, é que sou sonhadora q.b., sou pouco dada a construir castelinhos no ar, a imaginar grandes e mega projectos que eu sei que não poderia ter no presente. Normalmente só projecto para as águas turvas do futuro aquilo que sei que conseguiria ter com algum esforço a mais, no presente. Coisas passíveis de acontecer. Sou sonhadora q.b., deve ter vindo da minha Mãe este lado racional, ela que sempre nos ensinou a ter os pés assentes na terra para que não fossemos surpreendidas com um balde de água fria.

Alturas houve em que ficava meia «magoada» com esta atitude dela perante a vida, perante as nossas vidas, perante os sonhos. Achava que não nos estava a incentivar, a dar força. Com o tempo percebi que nos estava a proteger. Porque sonhar é muito fácil, o pior é acordar para a realidade. E eu sou da opinião de que quem sonha demais, acaba por ficar preso a metas impossíveis e não consegue desprender-se disso, e toda a realidade lhe sabe a pouco, pelo que se deixa ficar, a viver na fantasia. Sonhar q.b., sonhar sozinhos, fazer planos a dois acho que nunca é boa ideia, a não ser quando pensamos nisso como um projecto individual, mas planear tudo a dois, uma vida a dois, assim e assado acho perigoso. Acho muito perigoso. Porque depois se não acontece assim, perdemos a capacidade de sonhar por nós ou simplesmente não acreditamos mais.
Sonhar q.b. e bem aconchegadinhos dentro de nós. Sonhar connosco, só. Eu sonho acordada nos transportes.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Estatísticas importantes

O meu mau humor aumenta em proporcionalidade directa da estupidez, «coitadice»,cinismo e fantochada alheias.

Sábado, Novembro 14, 2009

Parabéns, Mãe

Que palavras mais? Repito, que palavras mais, Mãe?
És tudo. E tudo, é tudo.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Não tenho perfil para isto

Ultimamente ando com esta, em conversa, em discussão, em pensamentos, quando falo sozinha... "Não tenho perfil (ou feitio, conforme) para isto!" Não quer dizer que não seja boa, que não sirva para alguma coisa, não é nada disso, significa é que não sou pessoa para aturar algumas coisas. Não tenho perfil.
Nem feitio.
Mas é que não tenho mesmo.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Hoje descobri

que tenho algum jeito para fazer relatos de futebol (mesmo com entoação e depois a intervalar com aqueles comentários do senhor que está ao lado enquanto o outro relata e pára para respirar), e também para fingir que tenho um programa de música clássica na rádio, e fingir que sou uma sindicalista de primeira a falar de despedimentos de fábricas. Isto foi a aula de hoje da escrita criativa. Na 1ª pessoa, sermos locutores de rádio, escolher o programa/assunto que quiséssemos, e tínhamos de estar sempre a trocar de programa, de cada vez que tínhamos indicação disso. Isto a escrever claro, nada de microfones nem dessas coisas.
Escrever, num sítio onde sei que vou mesmo para escrever, hora marcada, aquele espaço, faz-me bem. Deixamos tudo, ou quase tudo, para trás. Como se fosse uma vida paralela, apenas salpicada de onde em onde com elementos da nossa vida lá fora.

E dá para respirar.
P.S. Obviamente que no meu relato, pus o Benfica a perder... em casa.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Deus também dá nozes a quem tem dentes...

Ninguém liga nenhuma ao asinhas. Que emoção gigante. Fenomenal. Vou ali chorar para a almofada, pensar que rapidamente vou ter de espetar aqui com mais sapatos e óculos de sol para ver se a coisa melhora.
Mas fenomenal, fenomenal é andar com medo de um sismo amanhã à noite em Lisboa e estar tudo a preparar-se para fugir para o Alentejo, caso seja necessário (conselho: não andem de metro amanhã e, caso haja algum aviso acerca de avarias no metropolitano, não são avarias, é prevenção). Não dou mais informações porque não as tenho.
Bem, mas como ia dizendo, fenomenal, fenomenal, é ter novamente a oportunidade de ir ouvir Robert Mckee, à semelhança do ano passado, porque Deus ainda dá nozes a quem tem dentes e ganhei novamente entrada no seminário de 3 dias (desta vez mais específico), através de um passatempo.

1º dia THRILLER DAY
O segredo do Thriller / Um vilão como o espírito do mal
O problema da definição
O antagonismo como chave do género Thriller
Como criar a emoção – O protagonista de um Thriller e o seu relacionamento com o antagonista
A Criação do incidente catalisador (o primeiro grande acontecimento da história)
Representação – Mistérios óbvios versus mistérios inesperados
O protagonista enquanto vítima
Estratégia do mistério, suspense e ironia dramática
Seis possíveis clímaxes de um Thriller
A Dinâmica do Thriller- Desenho da História: Utilização da sequência de cenas e actos para criação do medo
O Desenvolvimento – O poder da forma de apresentação das imagens num Thriller
Importante: Visionamento e análise do Thriller “Seven” com Brad Pitt e Morgan Freeman.



2º dia COMEDY DAY
A visão cómica da vida
A estrutura cómica versus a estrutura dramática
As personagens cómicas
O ponto de viragem no género cómico
O género Comédia – Três grandes definições
A Comédia – Sub-géneros
A Mistura de géneros
O que é o riso?
A estrutura das piadas
A substância das piadas
Os “timings” do cómico
Os detalhes do cómico
O meio envolvente do cómico
A sessão Comédia inclui clips de “Tropic Thunder,” “Wedding Crashers,” “The Daily Show,” “The Aristocrats,” “Bruce Almighty,” “Don’t Mess with the Zohan,” “Frasier,” “There’s Something About Mary,” entre outros
Importante: Visionamento e análise de um filme.

3º dia LOVE STORY DAY
Introdução
A biologia do amor. A psicologia do amor
As formas do amor
Os três sub-géneros das historias de Amor
Os conceitos predefinidos das histórias de Amor
Os personagens das histórias de Amor
As forças que trabalham contra e a favor do Amor
Os rituais das histórias de Amor – beleza, prazer e destino
Como são contadas as histórias de Amor
Compreender as histórias de Amor. O “mundo secreto”
O dilema do Amor
Apresentação de Clips de"Notting Hill," "Music & Lyrics," "Brokeback Mountain," "Love Actually," "Jerry Maguire,” “40 Year Old Virgin,” “Secretary,” "Four Weddings and a Funeral" entre outros
Importante: Visionamento e análise do filme “The Bridges of Madison County"

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Um dos sonhos, dos que estão cá dentro

Sabes, Márai, um dia adorava que publicassem as minhas cartas dirigidas a ti. E, já agora, D. Quixote, para quando mais traduções deste autor?

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Vidas assim

Eu não sei. Não sei para onde vou e, por vezes, não sei sequer quem sou. Sei do vazio que me enche o peito de falta de ar, aquela que me faz respirar, e me faz acreditar que amanhã será diferente. Que amanhã te encontrarei algures, numa esquina, a fumar, à minha espera, para me perguntares as horas e depois me reconheceres.
Passei a vida toda, porque vinte a tal anos são a vida toda, à espera de te encontrar. Encontro-te, não raras vezes, pairas sobre mim, qual céu azul límpido. Mas eu espero. Eu falho, tantas vezes, Pai. E eu tenho tanto medo.
Eu não sei como ser feliz, sendo-o. Porque sou-o. Dou graças a tudo pelo que tenho. Deste-me as preciosadades mais belas, elas. Deste-me a oportunidade de nascer do mais belo ventre.
Mas eu tenho medo.
Eu tenho tanto medo. Sabes, eu não acredito. Sinto-me permanentemente à espera do caminho, mas o caminho não aparece desenhado Pai, como nas folhas A4 em que com canetas de feltro tudo eram árvores, casas e trilhos. Chaminés com fumo. A refeição à espera que chegasses. E ficava fria. Gelada. E eu aquecia-a dentro de mim. No meu colo, no meu regaço, entre as mãos frágeis. Só para que viesses.
Eu tenho tanto medo.
E se eu falhar sempre, Pai? E se eu nunca for capaz de produzir tamanho amor? E se nunca ninguém for capaz? E se eu te vir em cada esquina, em cada pedaço? Em cada lembrança apagada, em cada pequeno momento, em cada vez que tentar pensar que já cá estás mesmo não estando?
E se eu viver para sempre afogada em saudades de lágrimas que já não nascem? E se eu achar que me condenei?
Pai, gostava tanto de conversar contigo. Comparar o euro com o escudo, o PS com o Kaulza de Arriga, Nampula com a Beira, o antes e o agora, os sonhos e as barreiras, a minha poesia e a minha prosa, elas, nós, a vida.
E sinto que vou falhar a vida inteira. Inteira. E elas dão-me força, elas têm tanta força, elas choram no silêncio dos dias longos, elas são tão mais puras que eu. Poque a pureza não está na capacidade de mostrar, de dizer, de escrever, está na força de acreditar. E eu tenho medo.
E sinto-me tão frágil, fraca. Estúpida. Já devia ter passado, não? Mas eu tenho de te escrever. Porque não acredito em mais nada.
E as flores que renascem são tu. E o dia que amanhece. E a cama que me aquece. O ombro que me conforta. E nada mais vale a pena. Tu. Só tu, Pai.
És o branco que traça a minha vida.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Algo está estranho

quando sonhamos que estamos num buffet, da Haagen-Dazs, a servir-nos de gelados, coberturas de chocolate e, no meio daquilo tudo, também nos servimos de ovo estrelado e batatas fritas, tudo misturado. E depois acordei.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Mini R.L.


Domingo, Novembro 01, 2009

November Rain



E é isto.

E gosto especialmente da parte em que o Slash está à procura das alianças e o Duff as entrega.

E é por estas e por outras que aos quatro ou cinco anos, num casamento, me ponho a imitar o Slash na igreja.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

«Quando a casa transborda do quarto»

Este texto está escrito no meu outro blogue, meio hibernado há mais de um ano, é o primeiro de uma série de textos que fazem uma história. A qual eu gostaria de continuar, mas nunca teve visibilidade, acabei por me deixar ficar. Aqui fica: http://oquartodehospedes.blogspot.com/2008/04/teste.html

Façam-me o favor, não de ser felizes (também, já agora), mas de ler.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Inspira, expira...

Inspira.
Expira.
Inspira.
Desiste.
Expira.
Tenta.
Inspira.
Rebenta.
Expira.
Acalma.
Inspira.
Grita.
Expira.
Sossega.
Inspira.
Fundo.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Depois admiram-se

que eu sempre tenha odiado tomar decisões. Vai uma pessoa para o agrupamento geral de humanidades, onde até se safa a métodos quantitativos, para depois ir para a faculdade e apanhar com mais métodos quantitativos e não achar grande piada, para depois, finalmente, estudar mesmo o que gosta e no Mestrado apanhar com Técnicas de Tomada de Decisão que mete mais matemática que eu sei lá, e são variáveis e gráficos e equações e tretas de senhores professores que dão aulas a cursos de gestão e administração pública e que tais.
Assim é que nunca hei-de decidir nada, mesmo.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Olhos fechados

Estou a precisar de uma viagem. Daquelas em que não há destino gravado no bilhete, nem tão pouco se há volta.
Não é uma viagem de comboio, nem de avião. Nem a pé.
É uma viagem num transporte pouco conhecido, pouco usado, mas muito eficaz e confortável.
Uma viagem de «olhos fechados».

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Eu tenho saudades... (mais uma lista)

- de acordar na cama da minha Mãe, ao fim-de-semana, bem cedinho, e de ela começar a fazer caretas monstruosas e vozes, para me meter medo (ela sempre gostou de meter medo e pregar sustos), e de eu começar a ficar com aquele nervoso histérico, entre a adrenalina e a piada e de começar a falar alto e a rir e ela me dizer «olha as tuas irmãs, elas estão a dormir!»;
- de ser pequenina e de ir tomar o pequeno-almoço com a minha Mãe, sempre uma torrada em pão de forma, num café que tinha um papel de parede escuro;
- de quando a minha irmã Margarida me agarrava, as duas no cadeirão da sala, com ela a encher-me de beijos que fazem cócegas e arrepios;
- de arreliar a minha irmã Inês, quando me punha de gatas e ia desde o corredor até à sala, e tentava ir para trás da mesa para lhe pregar sustos, e ela apanhava-me sempre, às vezes fingia que não me via, e quando eu estava quase a conseguir dizia «já te vi.»;
- de imitar o Slash a tocar guitarra no meio de uma Igreja;
- de estar no Monte dos meus tios e de me perder no meio das vinhas, ir ver as vacas, e andar pela casa a descobrir brincadeiras novas, das formigas grandes que picavam e de apanhar figos;
- de brincar às escolas, escrever com giz na parede, distribuir folhas a alunos invisíveis e de chatear a minha Mãe para me comprar um livro de ponto, gritar com eles e dar-lhes notas;
- de brincar às lojas dos tecidos, imaginar um rolo enorme de tecido na minha mão, cortá-lo, pôr num saco e dar sugestões a clientes que não se viam;
- de brincar aos médicos, em que eu era a recepcionista do consultório e marcava consultas com os nomes completos inventados dos pacientes;
- fazer desenhos e de, por cima de cada pessoa desenhada, escrever o seu nome imaginário, a sua idade, data de nascimento e signo;
- de ouvir o «Oh Carol» de manhã cedo, quando a minha Mãe estava na cozinha;
- da casa dos meus Avós Maternos, as escadas lá para cima, da estufa onde me deitava na rede, do terraço que tinha um canto onde me escondia, do quarto da Tia-Avó cheio de livros onde ela não gostava que entrássemos;
- de dormir nessa mesma casa, com os meus primos e tios, tudo acampado na sala, de manhã acordar e tomar o pequeno almoço deitados a ver os desenhos, da brincadeira pegada;
- dos Natais nessa mesma casa, os atrasos do costume, a mesa recheada de comida, tudo a falar, a cantar, as irmãs e primas mais velhas na conversa, a pequenada lá em cima, o Pai Natal a chegar e ia tudo lá para cima para não o vermos, da malta a comer sentada nas escadas, porque quando somos uns 28 primos direitos não cabe tudo à mesa;
- de ser a única que à terça feira, na «Escolinha», comia o peixe cozido e ainda pedia para repetir;
- das «conversas de deus» que tinha com a minha Tia Madalena, em que questionava muita coisa e fazia as mais diversas suposições;
- de pintar gesso com a minha Mãe,
- de passar férias em Évora, em casa dos primos, de fazer filmes de terror, de brincar aos mongolóides com o meu primo Hugo, aos padres pedófilos (ahahah!), de fazer videoclips e muitas outras coisas;
- de ir jogar Sega Saturn para casa de uma amiga, jogos que metiam medo e nós baixávamos os estores para dar ambiente à coisa;
- de ir para Olhão, em casa dos meus tios e de apanhar gafanhotos, ver os passarinhos nas gaiolas enormes, comer bolo de fubá;
- de brincar aos zombies nos intervalos das aulas, na casa de banho da escola;
- do amor platónico que tive durante algum tempo pelo Chico, que passava por mim e me chamava «juba de leão»;
- dos primeiros anos em que fui para Portimão passar férias com uma amiga;
- dos jantares que a malta, no 9º ano, fazia no restaurante chinês e de num desses jantares, combinarmos levar todas as nossas primeiras botas de salto alto (3 centímetros);
- de fazer porcaria engraçada nas aulas de matemática, físico-química, francês e educação visual;
- dos torneios de futebol femininos inter-turmas;
- do dia em que eu e uma amiga fomos para a rua numa aula pela primeira vez e ainda perguntámos «é para vir na 2ª hora?»;
- do dia em que soube que tinha ganho um concurso de poesia;
- da minha gata Zulu, que morreu com 18 anos;
- das cartas que escrevia à minha mãe a pedinchar-lhe coisas (era muito argumentativa, por sinal);
- dos recados que deixávamos umas às outras no espelho da casa de banho, como «boa sorte para o teste, vai correr bem!»;
- de não cabermos todas no sofá...;
- de nos levantarmos do sofá e dizermos «eu sou aqui!»;
- da adrenalina que foi roubar um livro de quadradinhos da Mónica e do Cebolinha;
- das horas de almoço e tardes passadas em casa de uma amiga, em que ouvíamos músicas para chorar e jogávamos aos papelinhos, em que fazíamos perguntas e cada papelinho tinha uma resposta que tirávamos à sorte;
- de ver o Grease, Dirty Dancing e História Interminável, vezes sem fim...;
- de imaginar que era a Cher ou a Tina Turner e dar concertos na minha sala, a fazer playback, para uma plateia que não existia;
- de dançar de pijama em casa, sozinha;
- da minha vizinha Tátá, a quem deixava cartas no correio e que pendurava sacos que davam para a nossa janela da cozinha, com doces e guloseimas;
- dos tempos em que calçava os sapatos da minha Mãe e fazia uma chinfrineira desgraçada pela casa e elas me diziam «olha que o Sr. Pires (vizinho de baixo) vem aí!!»;
- de dormir em casa da minha Tia Menita, e de ter medo do quarto dos arrumos dela, de brincar com as bonecas de pau preto, de ter medo do gorila de peluche da minha prima, de calçar os sapatos da minha Tia e de mexer no móvel das gavetas, e abri-las e fechá-las vezes sem fim, enquanto vendia bilhetes de autocarro;
- de me juntar com as minhas amigas, encostadas ao muro da escola, com uma lista de todos os rapazes que conhecíamos da escola, e de cada uma lhes dar uma nota conforme as características «simpatia, giro, corpo, inteligência...»
- de ir de 23 ter com a minha Mãe ao trabalho, e de uma vez adormecer e acordar e perguntar a uma senhora, para me orientar «já passámos as amoreiras??»;
- de brincar no trabalho da minha Mãe e de ligar a uma colega dela, a querida Mabel, e de ela me dar trela enquanto eu falava do meu marido e das dores de cabeça que ele me dava;
- de colar pensos higinénicos aos meus «nenucos» a fingir que eram fraldas;
- de coisas que não me lembro, mas que me contam, como perguntar pelo Pai à minha Mãe, e dizer-me que estava no céu e eu perguntar se no céu havia telefone;
- das minhas irmãs me dizerem que eu era filha da Deolinda (uma senhora que vivia uns prédios ao lado do nosso, bêbeda, que apanhava do marido) ou que tinha sido encontrada no caixote do lixo;
- do postal colado no quarto das minhas irmãs que dizia «Cuidado... mulheres à beira de um ataque de nervos!»;
- de jogar raquetes com a minha Mãe, sendo que ela jogava sentada na sua cadeira;
- da Praia do Alemão, no Vau;
- de achar que ia ser dançarina e bailarina (cheguei a ligar para o Conservatório de Dança), depois achar que ia ser professora, jornalista e ainda, decoradora de interiores (não, não era tudo ao mesmo tempo);
- de ser hiper-mega chata para os namorados das minhas irmãs;
- de ter fugido para o Algarve com uma amiga, no autocarro das sete da manhã, em que levávamos uma mochila com uma toalha e ameixas (não tenho saudades do que aconteceu quando voltámos!!);
- da professora de história do 6º ano, que me pedia sempre para ler, porque dizia que tinha uma voz muito bonita;
- da excitação que era as peças de Natal na primária;
- de inventar mil e uma desculpas para não ir às aulas de educação física quando envolvia ginástica;
- do meu 19,5 no primeiro teste de filosofia;
- de me vestir com collants berrantes, azuis turquesa, rosa choque, verde alface, calções de ganga largos e ténis, fitas no cabelo e fazer os piercings nessa altura;
- de passar para as camisas e sapatos de vela depois, e ficar com os piercings;
- de ter as dread-locks no rabo de cavalo;
- do caminho a pé para a escola;
- de gritar e cantar a chorar «Só eu sei, porque não fico em casa», quando o SCP foi campeão;
- de ver os jogos da selecção em casa do Mike;
- da esplanada amarela da FCSH, em que quando davámos por nós, uma mesa tinha à volta dez cadeiras;
- dos momentos em que sabemos que fizemos um amigo;
- de achar que acreditava no amor e de que era para sempre.
...

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Há 3 anos, Bábá

Faz hoje 3 anos que partiste Avó, lembro-me bem de na véspera estar num jantar e a preparar-me para a night, e de repente, à uma e pouco da manhã, uma tristeza enorme, meto-me sozinha num taxi e voltei para casa. Deixo aqui o texto que te escrevi na altura...


«As portas da tua morte trancaram segredos guardados nas mãos, nas minhas mãos. Às portas da morte, como num brinde de copo vazio, sem copo.
Partiste. A tua despedida num retorno sem caminho, trilhos e trilhos de um regresso sem fim. Avisaste sem fazer barulho, gritaste-nos ao ouvido, como um leve toque no ombro. “É assim mesmo, coitadinha”. E eu ficava a chorar lágrimas de lágrimas que não chorei. Adormece-me, fica ao pé de mim até eu fechar os olhos e ainda estar acordada à espera que fiques sempre mais um bocadinho. E tu ficas, todos os dias, a ver-me fingir que durmo, a fingir que acreditas.

Eu queria ter caminhado do teu lado, enquanto colhias flores e me arranjavas o cabelo e dizias “como vai a escola?” Mesmo que não houvesse flores, e não caminhássemos lado a lado. Mas eu costumava levar-te sempre uma flor lembraste? Uma sardinheira que arrancava, e que torcia até lhe partir o caule. Havia sempre um frasquinho com água onde a punhas e eu ficava sempre à espera de a ver no mesmo sítio quando lá voltava. Quando voltava. Talvez devesse ter voltado mais vezes. Talvez dar-te a mão mais vezes e ficar sentada, calada, cheia de vontade de ir brincar a coisas sem nome. Experimentava os teus anéis, puxava-te as peles velhinhas e macias das mãos e sorria, com ternura.»
Um dos teus 8 filhos, neste caso, uma das tuas filhas, já anda por aí, a ser homenageada na blogosfera!
Saudades do que nos fazias ser a todos. E ainda fazes.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Lá por escrever poesia também uso sapatões!

Depois de ter lido uns comentários um bocadinho tótós no blogue da lady, a propósito de ela pôr fotografias de sapatos e mais não sei o quê, fica aqui este post, a acompanhá-la, porque parte das mulheres, felizmente, tem oportunidade de calçar qualquer coisa nos pés, sejam ténis, chinelos, sandálias, botas, galochas, o que quiserem, sendo que todas elas têm direito a mostrar o que calçam onde, quando e como lhes apetecer.

E lá porque escrevo poesia, sou sensível e escrevo coisas «pseudo»-profundas (atentem nas aspas apenas na palavra «pseudo») e gosto de Sophia de Mello Breyner e de Sándor Márai, não quer dizer que não possa pôr aqui isto:




Sábado, Outubro 17, 2009

Da paciência

Normalmente só se fala dela quando esta começa a faltar.
E eu, paciente, tolerante, calma e compreensiva, impaciente apenas quando quero muito uma coisa e não tenho vontade de esperar (e, ainda assim, estou bem melhor que há uns anos), a dada altura começo a sentir um nervozinho interior, como se fosse um bichinho a morder-me, e começo a ficar com doses de irritação assustadoras que merecem um «afaste-se, para sua segurança», e começo a pôr tudo em causa e a questionar tudo, até a porcaria do produto para limpar o chão da cozinha, e começo a ficar cansada, e com vontade de desistir de tudo, porque eu, que tenho paciência para deixar que as coisas não sejam à minha maneira (única forma de elas existirem), começo a ficar sem ela, porque não tenho perfil para isto. Sou paciente para aquilo que me preenche, sejam pessoas, atitudes, objectivos, esperas, vidas... De resto, acho que mereço muito mais. E muito melhor. E não há pachorra para isto.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Carta para ti, Mãe


Mãe,

hesitei muito em escrever-te estas palavras. Tenho medo que o que escrevo te faça doer. Tenho medo que aquelas quatro macacas me caiam em cima por te ter escrito. Mas eu não consigo Mãe, eu tenho de escrever, eu preciso de escrever. Eu não quero que tu te preocupes comigo, quero que vejas nestas palavras um acto de libertação. Sabes bem que é a escrever que eu me liberto...

Mãe, tens um pedacinho de mim em todos os pedacinhos que te compoem, melhor, eu tenho um pedacinho de ti em todos os pedacinhos de que sou feita. E não vou deixar que nenhum, mas nenhum deles nos faça mal. Eu vou até ao fim do arco íris e volto se for preciso, vou montada num unicórnio buscar todas as poções mágicas que te ajudem, que nos ajudem. Porque eu não vou deixar que nada te aconteça. Vamos mandar essas porcarias todas que resolveram agarrar-se a ti (eu sempre disse que eras linda, inteligente e interessante, até os linfomas e esses mongolóides com nomes esquisitos te acham graça pa) dar uma grande curva, e sei que o Pai, lá em cima, está a olhar para essas bestas a pensar «sim, sim, bem podem tentar, essa mulher maravilhosa é feita de todos os materiais e mais alguns impossíveis de atingir».
Por isso, Mãe, estamos todas aqui (como se tu não soubesses), as tuas cinco filhas, e cada uma de nós se vai especializar ora em artes marciais, ora em yoga, ora em luta livre, ora em diplomacia, ora em super poderes e outra ainda em magia oculta, para que tenhamos todas as maneiras e mais algumas de mandar essa treta à merda. Aliás, acho que nem precisas, foste tu que nos ensinaste, melhor do que ninguém a sermos assim, fortes como o raio. Porque somos, lá choramingamos, batemos portas, berramos, lá se desaba o mundo inteiro sobre nós e olha só para nós, de novo erguidas, lindas, prontas para outra. Foste tu Mãe, com toda a tua coragem, com a tua humildade, com o teu bom senso, espírito de sacrifício, determinação e, sobretudo, com todo o teu amor, esse sim, verdadeiramente incondicional. Porque podes ter a certeza, que todas nós (e permitam-me falar em nome de todas), não temos orgulho maior que não sejas tu. Tu, só tu. Tu, Mãe, és o laço perfeito que nos une, e sempre unirá. E todas somos tramadas, não fosses tu do signo escorpião, e não tivessemos todas ido buscar a tua tenacidade e a tua força, a tua certeza. A tua altivez.

Por isto tudo, Mãe, não te preocupes, nós damos todas as mãos em teu redor e criamos uma fortaleza. Damos cabo de tudo, tens nas tuas filhas o homem-aranha, o super-homem, o batman, o X-man, o Hulk, a Xena princesa guerreira e todos esses pirosões que andam por aí a vencer o mal e a vencer batalhas. És a Maria Clara, nada vai apagar a luz que emanas.

Nós, por detrás deste ar aparentemente frágil, temos a força de um leão, não fossemos nós sportinguistas - não era por leão que o Pai às vezes nos tratava?- Ele sabia o que estava a dizer.


Ele sabia o que estava a dizer...

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Foi

Foi no poema
que eu venci
todas as mágoas e todas as dores,
todos os medos e dissabores

nele me rendi,
deixei gritar a voz descontente
larguei as armas e fui tenente
de batalhas e guerras e, finalmente, a bandeira branca.

Foi no poema
que eu aprendi
a rimar,
rimar receber com dar
sentir com pensar

nele eu imaginei eu construí
mundos não agora e não aqui
do que seria se não fosse
não fosse o rio dar ao mar.

Foi no poema que eu amei
loucamente, sem piedade
sem ninguém por perto a ver,
sem idade

nele eu senti saudades
do que partiu, do que não tenho
do que não existe,
do que já não está quando eu venho.

Foi no poema
que fiz poesia
desta assim, sem ironia,
simples e fácil como tudo quando eu ria

foi nele que me deixei estar
curiosa, medrosa e a andar
lentamente, sem ver,
tanto é o medo de olhar.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

O presente mais lindo...

foi da minha prima Rama, ainda não sei se foram as palavras, se a boneca em si... Se das duas coisas. Vou transcrever daqui (no site, vejam a boneca... é aquela que está ali a voar num balão do lado direito do asinhas).

«A Raquel já tem muitos anos. Não é propriamente velhota, mas já tem alguns.
Mesmo com estes anos todos, há muitas coisas que ela ainda não sabe.
Ela não sabe que, quando junta palavras em frases, nos faz sorrir e nos faz chorar. Não sabe que, por isso, nos prolonga a vida.
Ela não sabe que tem a essência da
Mami Madeleine – a coragem, a determinação, a sensibilidade, o voo, as asas, a solidão, a tenacidade e a poesia da Madeleine.
Ela não sabe que é a memória do nome que o nosso sangue carrega. Não sabe que é a força do nosso nome.
Acho que não sabe (saberá?) por que razão é uma menina poética.
É poética porque diz poesia em tudo o que faz. Porque tem uma mente que fervilha com o coração, porque, quando está silenciosa, os seus sentires gritam, e (acreditam?) quem está junto dela consegue ouvir o som ensurdecedor das suas palavras mudas.
A Raquel é de ouro e de estrelas, e a Mami Madeleine sempre lhe pertenceu.
Parabéns, querida Raquel.»

Sábado, Outubro 10, 2009

Antes e depois... We are familiy! I got all my sisters with me!

Pois que amanhã faço anos, e nada melhor que estas 4 mastronças para me acompanhar em cada Outono.
O antes, há muito tempo atrás...



















O depois, há uma semana...
Se quiserem, entretanham-se com correspondências, do tipo quem é quem...


Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Eu juro (caraças leiam, que estou indignada sff)

que me faz alguma confusão estar tudo a dar pulinhos de contentamento e com lagrimita no olho com o Obama. Não tenho nada contra ele, nem a favor. Verdade seja dita, para mim, ele não passa de mais um esquema muito bem montado ou, para falarmos nos meus termos, uma estratégia bem delineada de forma a fazer face às ameaças e a aproveitar-se das oportunidades para chegar aos objectivos (colocar os EUA no topo, restaurar a confiança no país politicamente, etc, etc...).
Nobel da Paz porquê? Porque tem ar de bonzinho e sorri? Porque mata moscas a brincar? Porquê? Porque tem feito esforços diplomáticos e revela muito «boas intenções»? Para mim, atribuir-lhe um Nobel é quase um atentado, por todos aqueles que verdadeiramente lutaram pela Paz no mundo e que não o faziam sentados numa cadeira de Sr. Presidente.
Nobel da Paz porquê? Quando ainda há pouco tempo fez declarações a mencionar a importância estratégica de vencer a GUERRA no Afeganistão e que provavelmente seria necessário enviar mais homens. Porquê? Quando investidas militares na Coreia e no Irão são cada vez mais faladas? Um homem que se recusou a receber o Dalai Lama na Casa Branca?
Ou as pessoas estão cegas e gostam mesmo de comer tudo o que lhes metem à frente, ou então o conceito de Paz mudou e eu estava a dormir (coisa aliás, que não me admirava).

Alguém se chegue à frente

Vi o novo filme do Lars von Trier. Ainda não consegui perceber o tipo de impacto que tem. É inquietante, perturbador, o que tem de horrível é exactamente o mesmo que tem de belo. Mas isto sou eu a escrever e não percebo nada de cinema. Uma salva de palmas à actriz Charlotte Gainsbourg que, curiosamente, é filha da Jane Birkin que fui hoje ver ao CCB. Mas isto sou eu novamente com espantos, que não sei nada destas afinidades e parentescos do mundo artístico.
Tia Madalena, se me estiveres a ler, vê o filme se faz favor, porque deves conseguir explicar-me tudo o que não percebi ou julgo ter percebido. Para mim é tudo uma grande analogia quer com a bíblia, quer com outras histórias e fábulas à mistura, para além do recorrente tema das mulheres em sofrimento.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

É sempre a mesma mosca...

Às vezes acho que tenho medo de ser feliz. Viver no pânico que de um momento para o outro a vida arranje forma de nos deitar um balde de água fria em cima e que tudo, comparado com o antes, pareça medonho e deprimente.
Outras vezes acho que não sei simplesmente ser feliz, questiono-me demais, exijo muito, fico sempre com um pé atrás, a pensar que se fosse de outra maneira, era diferente, talvez melhor.
Há ainda alturas em que simplesmente não acredito que isso exista. Coloco muitas dúvidas, procuro pontos fracos e provas de que é tudo imaginação nossa.
Falo felicidade no sentido interior, não no material, embora esse por vezes entre na equação. Sublinho isto porque me considero uma pessoa grata pelo que tenho e sei que há muita, mas muita mais gente com motivos para não se sentir feliz. Refiro-me àquele peso denso no peito, à nostalgia dos dias, o tempo que pássa e nós ficamos cada vez mais encolhidos dentro de nós. Penso no que poderia ter sido. Não no que é.
Depois há momentos em que acredito, sei que sou feliz. Quando aconchego cá dentro todos os de quem gosto. Todos os que são dignos da minha verdadeira confiança. Todos aqueles por quem peço antes de adormecer, tenha eu ido para a cama com as galinhas ou depois de uma noitada na discoteca. Peço sempre.
E depois isto faz tudo mais sentido se em vez de felicidade, trocarmos a palavra por amor. Não faz? A mim, sim. Tanto faz, que nem sobre isso consigo escrever sem ter medo.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Fenomenais paradoxos ou o que lhe quiserem chamar

Acabada de chegar há uma hora da primeira sessão do curso de escrita criativa, deparo-me com uma falta de imaginação assustadora. Espero que até Julho isto se resolva. Não, não esperava chegar aqui e revelar o Saramago ou o Lobo Antunes que há em mim, mas é engraçado que no processo de criatividade é preciso absorver e deixar amadurecer.
A primeira sessão foi acerca da necessidade dos pontos de vista na escrita, narrar uma mesma cena a partir de diferentes personagens e perceber a importância que um diferente narrador pode ter na história. Não vou maçar-vos todas as semanas com o que aprendi e experimentei, isto é mesmo para encher chouriços no blogue.
Amanhã começa o último ano de mestrado. Três cadeiras no 1º semestre e tese comigo. «Gestão de crises» é o que me aguarda às 18 horas. Vou sugerir umas horas dedicadas às crises existenciais, pode ser que pegue. Pode ser que faça uma tese sobre isso. Aliás, já está feita. Basta reunir os textos do asinhas...

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Passar à frente

Queria escrever, mas não escrevo. Não me apetece ferir susceptibilidades.
Nem uma vez, recordo-te. E isso entristece-me.

Domingo, Outubro 04, 2009

Comentário

Peço-vos que vejam a lista que uma das irmãs (a mais velha) completou, relativamente àquele post «em cinco irmãs...». Está nos comentários. O primeiro item é referente a mim.

Sábado, Outubro 03, 2009

Casar e faz de conta

Amanhã tenho um casamento. De uma prima direita que ao mesmo tempo é também minha madrinha. Da euforia de ter uma boa parte dos primos e família reunidos, e do contentamento de a ver feliz, sobra a quase certeza de que não me hei-de querer casar.
É que não há ninguém melhor para se entregar a 100% a mim, que não eu própria. Não sei se é exigência, insegurança, mas a verdade é que sou pouco tolerante ao «faz de conta». Pouco tolerante ao «vamos ser felizes à minha maneira», e não à nossa.
É que ainda por cima, a esteticista brasileira ontem, enquanto me arranjava os pés, disse «quem tem este dedo comprido (o 2º dedo do pé) é mulher que manda no marido».

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Pequenas coisas

Sempre me comovi com pequenas coisas. Dias em que olhava pela janela e via a vida toda lá fora, à minha espera. Datas memoráveis, esses dias tão longos que ficam guardados em prateleiras bem altas na biblioteca que é o nosso coração.
Sempre me comovi com pequenas coisas. Passagens de
livros, frases inteiras que dentro de mim faziam pulsar o medo imaginário de que um dia tudo acabasse assim; frases inteiras, palavra por palavra que se demoravam dentro de mim, me acompanhavam.
Sempre me comovi com pequenas coisas. Gestos simbólicos como o olhar triste de quem passa, sentar-me no autocarro ao lado daqueles que temem ficar sós eternamente.
Olhar as mãos mais belas, reconhecer os finos traços desenhados na perfeição, de um braço, de uma ruga.
Sempre me comovi com pequenas coisas, o verde campo, a natureza, o ar límpido que nos acolhe e nos enche o peito de ar. As estátuas da minha cidade.
Sempre me comovi com pequenas coisas, com cenas que não esqueço, passadas com grandes amigos, em que num gesto de amor puro nos dizíamos «somos dois pássaros que continuam a voar lado a lado».
Sempre me comovi com pequenas (grandes) coisas. A nossa fotografia, minha e do meu Pai, a memória que não tenho, o teu sítio resguardado dentro de mim. Olhar para a minha Mãe, sentada, vê-la dentro das nossas vidas com a dedicação intacta de quem ama. Olhar as minhas sobrinhas enquanto dormem, querer levá-las comigo, protegê-las, e pedir, com todas as forças, que sejam muito felizes.
Sempre me comovi com pequenas coisas,
música, sentir que poderia ser a perfeita banda sonora da minha vida. Os filmes, a imagem focada, a personagem vincada, o diálogo belo.
Comovo-me com o mundo. Com a passagem das vidas pelo mundo. E hei-de sempre comover-me, arrepiar-me, com todas as pequenas grandes coisas que sobrevivem na eternidade de tudo quanto existe. É em todas as pequenas coisas que respiramos, e é em todas as pequenas coisas que ofegantes ficamos sem ar. Porque todas elas, sem excepção, são tão, tão maiores que nós.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Lufada de ar fresco

Apesar de umas preocupações que pairam no ar, Outubro começou bem. Começou com a notícia de que a minha candidatura a uma bolsa de formação na Companhia do Eu, foi aceite e que, por isso mesmo, a partir da próxima semana e até Julho, às terças-feiras lá vou estar eu num curso de escrita criativa avançada. A par do curso, uma sexta-feira por mês há discussão de alguns clássicos. E reuniões individuais com os formandos e outras coisas que tal. E eu estou contente, porque preciso de mexer com a minha vida. E de escrever. Escrever e aprender, trocar ideias, desconstruir conceitos, ler outros. Ler-me a mim.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Última hora II

Leiam o anterior para perceber a sequência lógica dos factos.
Agora, para compôr o ramalhete, Portas era encontrado a fugir de submarino com resmas de papel, em direcção a... à Rússia. Sim, parece-me bem.

Última hora!!

«O Presidente da República, Cavaco Silva, foi encontrado amarrado a uma cadeira, prestes a tombar, na sua residência.
Impossibilitado de falar, devido a uma super fita adesiva que tem colada à sua boca, limita-se a emitir sons que os agentes da autoridade destacados para tomar conta do caso não conseguem entender. Escrever é também impossível pois Cavaco Silva não quer que as suas palavras sejam lidas por outras pessoas e anunciadas por estas, uma vez que ninguém fala por ele.
Algumas testemunhas foram já interrogadas, dando pistas muito importantes para prosseguir a investigação do atentado ao Presidente da República: Maria José Nogueira Pinto e Zita Seabra (que revelaram estar infiltradas no PSD), o ex-ministro Manuel Pinho que confirma ter sido afastado por saber de "touradas institucionais" que não convinham vir cá para fora num momento de euforia no Parlamento e ainda Joana Amaral Dias que vem agora desmentir o convite do Partido Socialista e que ao mesmo tempo não sabe como isso se veio a saber, admitindo também que o seu telefone estava sob escuta.

Temos uma informação de última hora, parece que a Europol emitiu um mandato de captura a Durão Barroso e Alberto João Jardim fugiu para os Açores.»

Acho que já faltou menos para chegarmos a este ponto, não?

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Em cinco irmãs (eu incluída)

Queiram desculpar-me que por vezes este tema seja recorrente, o das irmãs, mas o que é que eu hei-de fazer se, para além da minha Mãe, tenho a sorte de ter quatro mulheres maravilhosas na minha vida? Tenho de falar nelas e para elas. Tenho de me rir e de chorar (por falar nisso vejam o filme «para a minha irmã»), tenho de inchar o peito de orgulho e de me irritar com os feitios diferentes. Por isso, em cinco irmãs...:

- duas são virgem, uma caranguejo, uma peixes e uma balança (eu)
- três são loiras
- nenhuma vota à direita do PS
- no secundário, duas de humanidades, duas de economia e uma de ciências
- uma tem a mania que canta (duas, vá...)
- uma não decora letras nenhumas (por sinal, uma das que tem a mania que canta)
- uma tem a mania das limpezas e arrumações
- quatro têm cabelo encaracolado
- todas têm menos de 1,70 m
- uma é orgulhosa (mais que as outras)
- uma tem a mania que é gorda (anda nos 50 kilos e tal vejam bem....)
- duas têm olhos claros
- uma é séria e reservada
- todas são justiceiras
- todas reclamam quando têm que reclamar
- uma enche a casa quando chega
- uma nasceu em Moçambique
- duas são asmáticas
- três fumam (por sinal, incluem-se as asmáticas)
- uma é canhota
- duas são pitosgas
- uma é despistada e compra grão em vez de feijão
- uma cada vez que se levanta do sofá deixa cair qualquer coisa - comando ou telemóvel
- duas são viciadas em gotas para o nariz
- uma é a cara chapada da mãe
- uma é um bocado histérica
- todas são viciadas em coca-cola
- três adoram comer caracóis
- duas são sportinguistas com garra, as outras são só sportinguistas
- duas escrevem (que eu saiba)
- uma tem hábitos irritantes (como rebentar a embalagem do bolicao)
- uma acende a luz a meio da noite para matar melgas
- duas ressonam (respiram com força... ahah!)
- uma já entrou num filme português
- uma já foi modelo do catálogo da cenoura
- duas já tiveram cabelo à Marco Paulo
- duas são marronas
- duas são calonas
- uma já foi assaltada, foi a correr atrás do tipo e tirou-lhe o telemóvel que lhe tinham roubado (digam-me se estiver a inventar)
- duas já perderam um avião porque estavam na fila do check in do lado
- uma vive no Alentejo
- uma já viveu no distrito do Porto, carago
- uma não gosta de bacalhau
- uma já ganhou um concurso das pernas mais bonitas de Monte Gordo (ahahah!)
- duas já foram consideradas gémeas (com 11 anos de diferença, note-se...)
- uma está armada em vaidosona
- uma ocupa metade do armário
- duas já são mãe
- uma tem o sotck da «pedra dura» em casa
- uma já teve meningite
- duas nasceram de cesariana
- uma devia lembrar-se mais vezes que gostamos dela
- uma foi buscar um cão a um canil
- uma tem jeito para desenhar e pintar
- uma tem as orelhas do lado do pai
...
- quatro são as mulheres da minha vida.

Um dia conto mais.

Sábado, Setembro 26, 2009

Este blogue

vota

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Utopia

Não, não vou escrever acerca da conhecida obra de Thomas More. Mais facilmente escreveria sobre o Elogio da Loucura de Erasmo...

Sou eu, mesmo, que às vezes ainda me ponho a acreditar. Ainda dou por mim a sonhar acordada, a imaginar « e se» e «um dia», «amanhã», e uma série de condicionais e possibilidades incertas, ingénuas, idiotas, só para não deixarmos a letra i e termos aqui uma bela aliteração.

Com isto tinha tudo para ser comunista e não sou. Para umas coisas sou tão esperta, para outras, coitadinha...

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

R.

Já que se está tudo nas tintas para as minhas raízes, tal como, provavelmente, eu estaria para as vossas, numa de proporcionalidade directa, aqui ficam constatações ainda mais idiotas que esta última:

O meu nome começa por R, «erre». Está bem, eu erro.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Raízes

A senhora alta, imponente, de chapéu e roupas pretas, do lado esquerdo da fotografia, é a minha Trisavó Adelaide, e era de S. Tomé. Os noivos, os meus bisavós, ele natural de S. Tómé e ela do Pará (Brasil).

P.S. Como é que não querem que eu tenha este temperamento caliente?

Santana Lopes

Acho piada aos cartazes do Pedrinho espalhados pela cidade, no meio do blá blá, típico dos cartazes, o seu slogan é «Lisboa com sentido»...
Eu pergunto-me, com sentido? Só se for de humor, não?

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Enquanto me vias

Morrer no poema
asas feridas
de morte
de vida
sobreviver
respirar
nada dizer
aprender a calar
morrer no poema
naufragar pelos dias
à deriva do tempo
enquanto me vias.

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Pandemia cá em casa

Diz que não é a gripe A, mas é uma daquelas viroses que em menos de 48 horas meteu a famelga toda, menos as sacanas da mana mais velha e da penúltima, agarrada à sanita, e tal, e essas coisas todas. Aqui estou eu, a beber ice tea, devagarinho. Acho que estou a ficar com febre também.
Se eu tiver gripe A, aviso a malta, que é para desinfectar aqui o galinheiro e porem umas máscaras virtuais catitas antes de cá entrar para ver a pata choca. Que se lixem as galinhas. Ai, a senhora enfermeira da saúde 24 perguntou-me se eu tinha consciência das coisas, disse que sim, mas acho que a estou a perder.
Ao querido Patrick Sawayze, um sentido «descansa em paz», porque vai ficar eternamente na minha memória como John, do Dirty Dancing e o que eu dava para ter aprendido a dançar com ele.
Eu não disse? A cena da consciência?

Domingo, Setembro 13, 2009

Guns n' fuckin' Roses

gosto de pensar em como esta música (a minha preferida), foi feita para mim («use your illusion»...). Ouvir com o volume no máximo s.f.f.










She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was as fresh as the bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I'd stare too long I'd probably break down and cry
Sweet child o' mine
Sweet love of mine
She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain I hate to look into those eyes
And see an ounce of pain
Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder
And the rain
To quietly pass me by
Sweet child o' mine
Sweet love of mine
Where do we go
Where do we go now
Where do we go
Sweet child o' mine
Este é, definitivamente, o post mais pscícadélico deste blogue.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Contra-Publicidade

Se eu podia viver sem a Zon? Podia. Mas não era a mesma coisa...







ERA MELHOR!

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

E depois acontece-me

ter uma vontade súbita de mandar tudo pelos ares.

Acho que é desta...

Comecei a escrever um «livro» ou um embrião de livro, ou uma tentativa, ou que quiserem chamar. Uma história vá. Comecemos de novo... Comecei a escrever uma história há coisa de uma semana, partiu de uma ideia que já tinha na cabeça, em que o mote para o livro existir, a história, já cá cantava. Tinha ideia de que profissão queria que a personagem principal tivesse e uma vaga concepção de como esta seria.
Tenho escrito todos os dias, vou desenrolando a história ao sabor das palavras.
E acho que é desta pelo simples facto de que dou por mim, no dia-a-dia, a pensar nas minhas personagens, no que lhes «vou fazer» e como, se será melhor assim ou assado.
Façam figas. Já cá cantam 30 páginas.
Espero que falar nisto não dê azar.