Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Continuação do post anterior...

Há pouco perguntei à Clara se queria ir comigo regar as plantas e flores à varanda... Olhou para umas e disse «estas parecem daquelas plantas mamíferas!!»

Domingo, Novembro 29, 2009

Da minha sobrinha Clara...

Estávamos a «brincar às entrevistas», ela entrevistava-me, sendo que eu não estava a assumir nenhuma personagem, era eu mesma. Levanta-se, «temos aqui um dos seus alunos, 44 anos, homem» - faz voz grossa e começa a falar, interrompe para me dizer «tem sotaque».
Eu pergunto sotaque de onde? Do Alentejo, Algarve, Açores, Porto? Ela: «eeerr... sotaque português!!!»

PS.: Elegeu-me como a tia mais inteligente, sensível, divertida e mais parecida com ela na forma de ser!

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Sabe sempre bem ouvir estas coisas, mesmo que...

sejam ditas no bairro alto, por um homossexual meio alegre.
De braço dado com uma amiga vieram em direcção a mim, diz ele (algo do tipo, é que foi tudo muito rápido):
- Ai, desculpa mas eu tenho de dar um beijo a esta rapariga! És linda, linda linda, mas que bonita.
(Pára, olha para a amiga, mãos na cintura e continua):
- Desculpa, tu és nojenta de bonita, nojenta. Dá vontade de dar bofetadas! Nunca vi nada assim!
(Enquanto isto, a amiga toca-me no cabelo e diz «é sensual!» e «e eu não sou lésbica!»)
E pronto.
Será que ele estava consciente?

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

O amor não é cego

O amor sofre de amnésia.
O meu não. O meu é lúcido. É tão lúcido que chega a questionar a sua própria existência.
Não me venham falar de sinos a tocar, ou de borlobetas, louva-a-deus e outros bichos que tais na barriga, do para sempre, do à primeira vista.
Também não me venham dizer a frase que me dá cólicas: «dizes isso porque nunca gostaste/amaste a sério de ninguém», pois sou bem capaz de responder «pois é, e é muito provável que isso nunca venha a acontecer.».
Não, não sou misantropa, não desejo o fim da humanidade e muito menos a expressão do ódio (mesmo que isto não tenha nada a ver com misantropia, que se lixe). Toda eu sou poesia, sensibilidade e amor. Mas não é desse dos trezentos, sem garantia, com prazo de validade a acabar na semana que vem, com livro de instruções só em chinês, com defeito e metido nos cestos de 1 euro.
O meu amor é outro. É pelas coisas grandes. Grande não quer dizer tamanho. Nem comprimento. Nem largura. Grande tem que ver com a verdade. E eu gosto de coisas verdadeiras. Não gosto de brincar aos contos de fadas e aos dramas do Sparks (ainda bem que nunca li nada dele, ufa), não gosto de dizer palavras por dizer, nem de as ouvir em vão. Eu gosto da verdade simples. Que está escrita nas mãos. E mesmo que o amor fosse cego, haveria sempre o tacto.
Mas eu ainda não me encontrei. Já me descobri, mas não me encontrei. Por isso não sei o que é verdadeiramente grande (verdadeiro). Verdadeiramente verdade para que eu possa encostar a cabeça e adormecer sem medo.
É que eu não gosto nada de me enganar. Só nas contas de matemática, ou apanhar o autocarro errado.

A minha cidade

A minha cidade é feita de janelas
e entre elas
há sempre uma alma dorida
ao som da música da vida
não vivida.

Ela é quente, é fria
e quando arrefece,
a gente toda junta se arrepia
com o fado
cantado em agonia.

Nela
o silêncio vibra,
as estátuas erguidas pelos mortos.
É feita de poetas amantes
e amantes cantores
e todos gritam
roucamente

o elogio
desse amor doente.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Só assim para aumentar visitas e tal

que a malta gosta é disto, e acho muito bem:

Está na altura de voltar a ter as garras neste estado (se bem que não dá jeito nenhum, então para teclar no PC ou enviar mensagens do telemóvel, é preciso pontaria), não me enervem senão não consigo!!


P.S. Sei que não se vê nada, a não ser uns dedos ossudos com as pontas vermelhas.


Sábado, Novembro 21, 2009

Em dias como este

Em dias como este, o meu peito emigra para longe, voa até sítios onde não mais me dói a alma. Em dias como este, imagino a vida a anos-luz de mim, como se estivesse presa dentro de um qualquer quadro, obra de arte, dissolvida na palete de cores, nos traços e no gesto que o pincel simula.
Em dias como este, vejo-me, cego-me talvez, na minha pequena casa, de decoração clássica mas acolhedora, os móveis de madeira, os cremes, os castanhos, o sofá onde me recolho, os livros, a letra R. feita pela Tia Madalena emoldurada bem em cima do meu canto predilecto, aquele perto da janela, com um candeeiro de pé alto, almofadões, um cadeirão, e o pequeno móvel dos livros favoritos. A mesa onde escrevo. A mesa onde deixo de ser eu para ser eu. A mesa onde morro para renascer em cada letra, a cada verso, a cada medo de rasgar a página.
Em dias como este aqueço dentro de mim todos os que ficam pelo bem que me fazem. Aqueço todas as boas recordações, porque na palavra recordações só as boas cabem.
Voltar a ter medo de não ser feliz. A vida não nos pode conformar, pois não?
Nem que eu demore anos e anos de dias como estes a provar isso a mim mesma.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Porque eu também gosto de hip-hop «tuga»

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Um dia destes

Um dia destes digo que vou comprar tabaco e nunca mais volto.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

O meu jardim «interior»

Hoje rumei ao IKEA e não, não foi para comprar móveis nem sofás, nem candeeiros, nem mesas ou material de escritório. Fui porque me parecia o sítio mais perto/completo no momento, para comprar plantas, flores e coisas do tipo. Vim de lá com 3, depois fui comprar terra e amanhã trato dos vasos, das mudanças e de embelezar a varanda.
Gosto muito de cuidar de plantas e de flores, de mexer na terra, semear, regar, vê-las crescer. Sinto-me leve, como se estivesse verdadeiramente a cuidar de alguém que sente. Até falo com elas, mesmo que seja para dentro e ninguém me ouça. Gostava de ter uma estufa...
Gostava que cuidassem de mim como se fosse uma planta.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

q.b.

Sou sonhadora. Mais do que sonhar, gosto de ter delineados, esboçados, alguns objectivos, projectos que vou construindo na cabeça, que gostaria de ver realizados a médio/longo prazo. Planos, pequenas ou grandes coisas, não importa. Lembro-me de há uns tempos, ter dito a mim mesma que em 2009 publicava a primeira coisa. E aconteceu, logo em Janeiro, convidaram-me a participar numa antologia de poesia. Na altura, a excitação do momento, a alegria, o sentimento de que «é possível», acabaram por ofuscar um pouco a nitidez e a clareza de que de facto, tenho planos, tenho projectos, e num misto de luta, sorte e verdadeiro amor, eles são realizados.
O lado bom disto, é que sou sonhadora q.b., sou pouco dada a construir castelinhos no ar, a imaginar grandes e mega projectos que eu sei que não poderia ter no presente. Normalmente só projecto para as águas turvas do futuro aquilo que sei que conseguiria ter com algum esforço a mais, no presente. Coisas passíveis de acontecer. Sou sonhadora q.b., deve ter vindo da minha Mãe este lado racional, ela que sempre nos ensinou a ter os pés assentes na terra para que não fossemos surpreendidas com um balde de água fria.

Alturas houve em que ficava meia «magoada» com esta atitude dela perante a vida, perante as nossas vidas, perante os sonhos. Achava que não nos estava a incentivar, a dar força. Com o tempo percebi que nos estava a proteger. Porque sonhar é muito fácil, o pior é acordar para a realidade. E eu sou da opinião de que quem sonha demais, acaba por ficar preso a metas impossíveis e não consegue desprender-se disso, e toda a realidade lhe sabe a pouco, pelo que se deixa ficar, a viver na fantasia. Sonhar q.b., sonhar sozinhos, fazer planos a dois acho que nunca é boa ideia, a não ser quando pensamos nisso como um projecto individual, mas planear tudo a dois, uma vida a dois, assim e assado acho perigoso. Acho muito perigoso. Porque depois se não acontece assim, perdemos a capacidade de sonhar por nós ou simplesmente não acreditamos mais.
Sonhar q.b. e bem aconchegadinhos dentro de nós. Sonhar connosco, só. Eu sonho acordada nos transportes.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Estatísticas importantes

O meu mau humor aumenta em proporcionalidade directa da estupidez, «coitadice»,cinismo e fantochada alheias.

Sábado, Novembro 14, 2009

Parabéns, Mãe

Que palavras mais? Repito, que palavras mais, Mãe?
És tudo. E tudo, é tudo.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Não tenho perfil para isto

Ultimamente ando com esta, em conversa, em discussão, em pensamentos, quando falo sozinha... "Não tenho perfil (ou feitio, conforme) para isto!" Não quer dizer que não seja boa, que não sirva para alguma coisa, não é nada disso, significa é que não sou pessoa para aturar algumas coisas. Não tenho perfil.
Nem feitio.
Mas é que não tenho mesmo.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Hoje descobri

que tenho algum jeito para fazer relatos de futebol (mesmo com entoação e depois a intervalar com aqueles comentários do senhor que está ao lado enquanto o outro relata e pára para respirar), e também para fingir que tenho um programa de música clássica na rádio, e fingir que sou uma sindicalista de primeira a falar de despedimentos de fábricas. Isto foi a aula de hoje da escrita criativa. Na 1ª pessoa, sermos locutores de rádio, escolher o programa/assunto que quiséssemos, e tínhamos de estar sempre a trocar de programa, de cada vez que tínhamos indicação disso. Isto a escrever claro, nada de microfones nem dessas coisas.
Escrever, num sítio onde sei que vou mesmo para escrever, hora marcada, aquele espaço, faz-me bem. Deixamos tudo, ou quase tudo, para trás. Como se fosse uma vida paralela, apenas salpicada de onde em onde com elementos da nossa vida lá fora.

E dá para respirar.
P.S. Obviamente que no meu relato, pus o Benfica a perder... em casa.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Deus também dá nozes a quem tem dentes...

Ninguém liga nenhuma ao asinhas. Que emoção gigante. Fenomenal. Vou ali chorar para a almofada, pensar que rapidamente vou ter de espetar aqui com mais sapatos e óculos de sol para ver se a coisa melhora.
Mas fenomenal, fenomenal é andar com medo de um sismo amanhã à noite em Lisboa e estar tudo a preparar-se para fugir para o Alentejo, caso seja necessário (conselho: não andem de metro amanhã e, caso haja algum aviso acerca de avarias no metropolitano, não são avarias, é prevenção). Não dou mais informações porque não as tenho.
Bem, mas como ia dizendo, fenomenal, fenomenal, é ter novamente a oportunidade de ir ouvir Robert Mckee, à semelhança do ano passado, porque Deus ainda dá nozes a quem tem dentes e ganhei novamente entrada no seminário de 3 dias (desta vez mais específico), através de um passatempo.

1º dia THRILLER DAY
O segredo do Thriller / Um vilão como o espírito do mal
O problema da definição
O antagonismo como chave do género Thriller
Como criar a emoção – O protagonista de um Thriller e o seu relacionamento com o antagonista
A Criação do incidente catalisador (o primeiro grande acontecimento da história)
Representação – Mistérios óbvios versus mistérios inesperados
O protagonista enquanto vítima
Estratégia do mistério, suspense e ironia dramática
Seis possíveis clímaxes de um Thriller
A Dinâmica do Thriller- Desenho da História: Utilização da sequência de cenas e actos para criação do medo
O Desenvolvimento – O poder da forma de apresentação das imagens num Thriller
Importante: Visionamento e análise do Thriller “Seven” com Brad Pitt e Morgan Freeman.



2º dia COMEDY DAY
A visão cómica da vida
A estrutura cómica versus a estrutura dramática
As personagens cómicas
O ponto de viragem no género cómico
O género Comédia – Três grandes definições
A Comédia – Sub-géneros
A Mistura de géneros
O que é o riso?
A estrutura das piadas
A substância das piadas
Os “timings” do cómico
Os detalhes do cómico
O meio envolvente do cómico
A sessão Comédia inclui clips de “Tropic Thunder,” “Wedding Crashers,” “The Daily Show,” “The Aristocrats,” “Bruce Almighty,” “Don’t Mess with the Zohan,” “Frasier,” “There’s Something About Mary,” entre outros
Importante: Visionamento e análise de um filme.

3º dia LOVE STORY DAY
Introdução
A biologia do amor. A psicologia do amor
As formas do amor
Os três sub-géneros das historias de Amor
Os conceitos predefinidos das histórias de Amor
Os personagens das histórias de Amor
As forças que trabalham contra e a favor do Amor
Os rituais das histórias de Amor – beleza, prazer e destino
Como são contadas as histórias de Amor
Compreender as histórias de Amor. O “mundo secreto”
O dilema do Amor
Apresentação de Clips de"Notting Hill," "Music & Lyrics," "Brokeback Mountain," "Love Actually," "Jerry Maguire,” “40 Year Old Virgin,” “Secretary,” "Four Weddings and a Funeral" entre outros
Importante: Visionamento e análise do filme “The Bridges of Madison County"

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Um dos sonhos, dos que estão cá dentro

Sabes, Márai, um dia adorava que publicassem as minhas cartas dirigidas a ti. E, já agora, D. Quixote, para quando mais traduções deste autor?

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Vidas assim

Eu não sei. Não sei para onde vou e, por vezes, não sei sequer quem sou. Sei do vazio que me enche o peito de falta de ar, aquela que me faz respirar, e me faz acreditar que amanhã será diferente. Que amanhã te encontrarei algures, numa esquina, a fumar, à minha espera, para me perguntares as horas e depois me reconheceres.
Passei a vida toda, porque vinte a tal anos são a vida toda, à espera de te encontrar. Encontro-te, não raras vezes, pairas sobre mim, qual céu azul límpido. Mas eu espero. Eu falho, tantas vezes, Pai. E eu tenho tanto medo.
Eu não sei como ser feliz, sendo-o. Porque sou-o. Dou graças a tudo pelo que tenho. Deste-me as preciosadades mais belas, elas. Deste-me a oportunidade de nascer do mais belo ventre.
Mas eu tenho medo.
Eu tenho tanto medo. Sabes, eu não acredito. Sinto-me permanentemente à espera do caminho, mas o caminho não aparece desenhado Pai, como nas folhas A4 em que com canetas de feltro tudo eram árvores, casas e trilhos. Chaminés com fumo. A refeição à espera que chegasses. E ficava fria. Gelada. E eu aquecia-a dentro de mim. No meu colo, no meu regaço, entre as mãos frágeis. Só para que viesses.
Eu tenho tanto medo.
E se eu falhar sempre, Pai? E se eu nunca for capaz de produzir tamanho amor? E se nunca ninguém for capaz? E se eu te vir em cada esquina, em cada pedaço? Em cada lembrança apagada, em cada pequeno momento, em cada vez que tentar pensar que já cá estás mesmo não estando?
E se eu viver para sempre afogada em saudades de lágrimas que já não nascem? E se eu achar que me condenei?
Pai, gostava tanto de conversar contigo. Comparar o euro com o escudo, o PS com o Kaulza de Arriga, Nampula com a Beira, o antes e o agora, os sonhos e as barreiras, a minha poesia e a minha prosa, elas, nós, a vida.
E sinto que vou falhar a vida inteira. Inteira. E elas dão-me força, elas têm tanta força, elas choram no silêncio dos dias longos, elas são tão mais puras que eu. Poque a pureza não está na capacidade de mostrar, de dizer, de escrever, está na força de acreditar. E eu tenho medo.
E sinto-me tão frágil, fraca. Estúpida. Já devia ter passado, não? Mas eu tenho de te escrever. Porque não acredito em mais nada.
E as flores que renascem são tu. E o dia que amanhece. E a cama que me aquece. O ombro que me conforta. E nada mais vale a pena. Tu. Só tu, Pai.
És o branco que traça a minha vida.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Algo está estranho

quando sonhamos que estamos num buffet, da Haagen-Dazs, a servir-nos de gelados, coberturas de chocolate e, no meio daquilo tudo, também nos servimos de ovo estrelado e batatas fritas, tudo misturado. E depois acordei.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Mini R.L.


Domingo, Novembro 01, 2009

November Rain



E é isto.

E gosto especialmente da parte em que o Slash está à procura das alianças e o Duff as entrega.

E é por estas e por outras que aos quatro ou cinco anos, num casamento, me ponho a imitar o Slash na igreja.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

«Quando a casa transborda do quarto»

Este texto está escrito no meu outro blogue, meio hibernado há mais de um ano, é o primeiro de uma série de textos que fazem uma história. A qual eu gostaria de continuar, mas nunca teve visibilidade, acabei por me deixar ficar. Aqui fica: http://oquartodehospedes.blogspot.com/2008/04/teste.html

Façam-me o favor, não de ser felizes (também, já agora), mas de ler.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Inspira, expira...

Inspira.
Expira.
Inspira.
Desiste.
Expira.
Tenta.
Inspira.
Rebenta.
Expira.
Acalma.
Inspira.
Grita.
Expira.
Sossega.
Inspira.
Fundo.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Depois admiram-se

que eu sempre tenha odiado tomar decisões. Vai uma pessoa para o agrupamento geral de humanidades, onde até se safa a métodos quantitativos, para depois ir para a faculdade e apanhar com mais métodos quantitativos e não achar grande piada, para depois, finalmente, estudar mesmo o que gosta e no Mestrado apanhar com Técnicas de Tomada de Decisão que mete mais matemática que eu sei lá, e são variáveis e gráficos e equações e tretas de senhores professores que dão aulas a cursos de gestão e administração pública e que tais.
Assim é que nunca hei-de decidir nada, mesmo.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Olhos fechados

Estou a precisar de uma viagem. Daquelas em que não há destino gravado no bilhete, nem tão pouco se há volta.
Não é uma viagem de comboio, nem de avião. Nem a pé.
É uma viagem num transporte pouco conhecido, pouco usado, mas muito eficaz e confortável.
Uma viagem de «olhos fechados».

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Eu tenho saudades... (mais uma lista)

- de acordar na cama da minha Mãe, ao fim-de-semana, bem cedinho, e de ela começar a fazer caretas monstruosas e vozes, para me meter medo (ela sempre gostou de meter medo e pregar sustos), e de eu começar a ficar com aquele nervoso histérico, entre a adrenalina e a piada e de começar a falar alto e a rir e ela me dizer «olha as tuas irmãs, elas estão a dormir!»;
- de ser pequenina e de ir tomar o pequeno-almoço com a minha Mãe, sempre uma torrada em pão de forma, num café que tinha um papel de parede escuro;
- de quando a minha irmã Margarida me agarrava, as duas no cadeirão da sala, com ela a encher-me de beijos que fazem cócegas e arrepios;
- de arreliar a minha irmã Inês, quando me punha de gatas e ia desde o corredor até à sala, e tentava ir para trás da mesa para lhe pregar sustos, e ela apanhava-me sempre, às vezes fingia que não me via, e quando eu estava quase a conseguir dizia «já te vi.»;
- de imitar o Slash a tocar guitarra no meio de uma Igreja;
- de estar no Monte dos meus tios e de me perder no meio das vinhas, ir ver as vacas, e andar pela casa a descobrir brincadeiras novas, das formigas grandes que picavam e de apanhar figos;
- de brincar às escolas, escrever com giz na parede, distribuir folhas a alunos invisíveis e de chatear a minha Mãe para me comprar um livro de ponto, gritar com eles e dar-lhes notas;
- de brincar às lojas dos tecidos, imaginar um rolo enorme de tecido na minha mão, cortá-lo, pôr num saco e dar sugestões a clientes que não se viam;
- de brincar aos médicos, em que eu era a recepcionista do consultório e marcava consultas com os nomes completos inventados dos pacientes;
- fazer desenhos e de, por cima de cada pessoa desenhada, escrever o seu nome imaginário, a sua idade, data de nascimento e signo;
- de ouvir o «Oh Carol» de manhã cedo, quando a minha Mãe estava na cozinha;
- da casa dos meus Avós Maternos, as escadas lá para cima, da estufa onde me deitava na rede, do terraço que tinha um canto onde me escondia, do quarto da Tia-Avó cheio de livros onde ela não gostava que entrássemos;
- de dormir nessa mesma casa, com os meus primos e tios, tudo acampado na sala, de manhã acordar e tomar o pequeno almoço deitados a ver os desenhos, da brincadeira pegada;
- dos Natais nessa mesma casa, os atrasos do costume, a mesa recheada de comida, tudo a falar, a cantar, as irmãs e primas mais velhas na conversa, a pequenada lá em cima, o Pai Natal a chegar e ia tudo lá para cima para não o vermos, da malta a comer sentada nas escadas, porque quando somos uns 28 primos direitos não cabe tudo à mesa;
- de ser a única que à terça feira, na «Escolinha», comia o peixe cozido e ainda pedia para repetir;
- das «conversas de deus» que tinha com a minha Tia Madalena, em que questionava muita coisa e fazia as mais diversas suposições;
- de pintar gesso com a minha Mãe,
- de passar férias em Évora, em casa dos primos, de fazer filmes de terror, de brincar aos mongolóides com o meu primo Hugo, aos padres pedófilos (ahahah!), de fazer videoclips e muitas outras coisas;
- de ir jogar Sega Saturn para casa de uma amiga, jogos que metiam medo e nós baixávamos os estores para dar ambiente à coisa;
- de ir para Olhão, em casa dos meus tios e de apanhar gafanhotos, ver os passarinhos nas gaiolas enormes, comer bolo de fubá;
- de brincar aos zombies nos intervalos das aulas, na casa de banho da escola;
- do amor platónico que tive durante algum tempo pelo Chico, que passava por mim e me chamava «juba de leão»;
- dos primeiros anos em que fui para Portimão passar férias com uma amiga;
- dos jantares que a malta, no 9º ano, fazia no restaurante chinês e de num desses jantares, combinarmos levar todas as nossas primeiras botas de salto alto (3 centímetros);
- de fazer porcaria engraçada nas aulas de matemática, físico-química, francês e educação visual;
- dos torneios de futebol femininos inter-turmas;
- do dia em que eu e uma amiga fomos para a rua numa aula pela primeira vez e ainda perguntámos «é para vir na 2ª hora?»;
- do dia em que soube que tinha ganho um concurso de poesia;
- da minha gata Zulu, que morreu com 18 anos;
- das cartas que escrevia à minha mãe a pedinchar-lhe coisas (era muito argumentativa, por sinal);
- dos recados que deixávamos umas às outras no espelho da casa de banho, como «boa sorte para o teste, vai correr bem!»;
- de não cabermos todas no sofá...;
- de nos levantarmos do sofá e dizermos «eu sou aqui!»;
- da adrenalina que foi roubar um livro de quadradinhos da Mónica e do Cebolinha;
- das horas de almoço e tardes passadas em casa de uma amiga, em que ouvíamos músicas para chorar e jogávamos aos papelinhos, em que fazíamos perguntas e cada papelinho tinha uma resposta que tirávamos à sorte;
- de ver o Grease, Dirty Dancing e História Interminável, vezes sem fim...;
- de imaginar que era a Cher ou a Tina Turner e dar concertos na minha sala, a fazer playback, para uma plateia que não existia;
- de dançar de pijama em casa, sozinha;
- da minha vizinha Tátá, a quem deixava cartas no correio e que pendurava sacos que davam para a nossa janela da cozinha, com doces e guloseimas;
- dos tempos em que calçava os sapatos da minha Mãe e fazia uma chinfrineira desgraçada pela casa e elas me diziam «olha que o Sr. Pires (vizinho de baixo) vem aí!!»;
- de dormir em casa da minha Tia Menita, e de ter medo do quarto dos arrumos dela, de brincar com as bonecas de pau preto, de ter medo do gorila de peluche da minha prima, de calçar os sapatos da minha Tia e de mexer no móvel das gavetas, e abri-las e fechá-las vezes sem fim, enquanto vendia bilhetes de autocarro;
- de me juntar com as minhas amigas, encostadas ao muro da escola, com uma lista de todos os rapazes que conhecíamos da escola, e de cada uma lhes dar uma nota conforme as características «simpatia, giro, corpo, inteligência...»
- de ir de 23 ter com a minha Mãe ao trabalho, e de uma vez adormecer e acordar e perguntar a uma senhora, para me orientar «já passámos as amoreiras??»;
- de brincar no trabalho da minha Mãe e de ligar a uma colega dela, a querida Mabel, e de ela me dar trela enquanto eu falava do meu marido e das dores de cabeça que ele me dava;
- de colar pensos higinénicos aos meus «nenucos» a fingir que eram fraldas;
- de coisas que não me lembro, mas que me contam, como perguntar pelo Pai à minha Mãe, e dizer-me que estava no céu e eu perguntar se no céu havia telefone;
- das minhas irmãs me dizerem que eu era filha da Deolinda (uma senhora que vivia uns prédios ao lado do nosso, bêbeda, que apanhava do marido) ou que tinha sido encontrada no caixote do lixo;
- do postal colado no quarto das minhas irmãs que dizia «Cuidado... mulheres à beira de um ataque de nervos!»;
- de jogar raquetes com a minha Mãe, sendo que ela jogava sentada na sua cadeira;
- da Praia do Alemão, no Vau;
- de achar que ia ser dançarina e bailarina (cheguei a ligar para o Conservatório de Dança), depois achar que ia ser professora, jornalista e ainda, decoradora de interiores (não, não era tudo ao mesmo tempo);
- de ser hiper-mega chata para os namorados das minhas irmãs;
- de ter fugido para o Algarve com uma amiga, no autocarro das sete da manhã, em que levávamos uma mochila com uma toalha e ameixas (não tenho saudades do que aconteceu quando voltámos!!);
- da professora de história do 6º ano, que me pedia sempre para ler, porque dizia que tinha uma voz muito bonita;
- da excitação que era as peças de Natal na primária;
- de inventar mil e uma desculpas para não ir às aulas de educação física quando envolvia ginástica;
- do meu 19,5 no primeiro teste de filosofia;
- de me vestir com collants berrantes, azuis turquesa, rosa choque, verde alface, calções de ganga largos e ténis, fitas no cabelo e fazer os piercings nessa altura;
- de passar para as camisas e sapatos de vela depois, e ficar com os piercings;
- de ter as dread-locks no rabo de cavalo;
- do caminho a pé para a escola;
- de gritar e cantar a chorar «Só eu sei, porque não fico em casa», quando o SCP foi campeão;
- de ver os jogos da selecção em casa do Mike;
- da esplanada amarela da FCSH, em que quando davámos por nós, uma mesa tinha à volta dez cadeiras;
- dos momentos em que sabemos que fizemos um amigo;
- de achar que acreditava no amor e de que era para sempre.
...

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Há 3 anos, Bábá

Faz hoje 3 anos que partiste Avó, lembro-me bem de na véspera estar num jantar e a preparar-me para a night, e de repente, à uma e pouco da manhã, uma tristeza enorme, meto-me sozinha num taxi e voltei para casa. Deixo aqui o texto que te escrevi na altura...


«As portas da tua morte trancaram segredos guardados nas mãos, nas minhas mãos. Às portas da morte, como num brinde de copo vazio, sem copo.
Partiste. A tua despedida num retorno sem caminho, trilhos e trilhos de um regresso sem fim. Avisaste sem fazer barulho, gritaste-nos ao ouvido, como um leve toque no ombro. “É assim mesmo, coitadinha”. E eu ficava a chorar lágrimas de lágrimas que não chorei. Adormece-me, fica ao pé de mim até eu fechar os olhos e ainda estar acordada à espera que fiques sempre mais um bocadinho. E tu ficas, todos os dias, a ver-me fingir que durmo, a fingir que acreditas.

Eu queria ter caminhado do teu lado, enquanto colhias flores e me arranjavas o cabelo e dizias “como vai a escola?” Mesmo que não houvesse flores, e não caminhássemos lado a lado. Mas eu costumava levar-te sempre uma flor lembraste? Uma sardinheira que arrancava, e que torcia até lhe partir o caule. Havia sempre um frasquinho com água onde a punhas e eu ficava sempre à espera de a ver no mesmo sítio quando lá voltava. Quando voltava. Talvez devesse ter voltado mais vezes. Talvez dar-te a mão mais vezes e ficar sentada, calada, cheia de vontade de ir brincar a coisas sem nome. Experimentava os teus anéis, puxava-te as peles velhinhas e macias das mãos e sorria, com ternura.»
Um dos teus 8 filhos, neste caso, uma das tuas filhas, já anda por aí, a ser homenageada na blogosfera!
Saudades do que nos fazias ser a todos. E ainda fazes.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Lá por escrever poesia também uso sapatões!

Depois de ter lido uns comentários um bocadinho tótós no blogue da lady, a propósito de ela pôr fotografias de sapatos e mais não sei o quê, fica aqui este post, a acompanhá-la, porque parte das mulheres, felizmente, tem oportunidade de calçar qualquer coisa nos pés, sejam ténis, chinelos, sandálias, botas, galochas, o que quiserem, sendo que todas elas têm direito a mostrar o que calçam onde, quando e como lhes apetecer.

E lá porque escrevo poesia, sou sensível e escrevo coisas «pseudo»-profundas (atentem nas aspas apenas na palavra «pseudo») e gosto de Sophia de Mello Breyner e de Sándor Márai, não quer dizer que não possa pôr aqui isto:




Sábado, Outubro 17, 2009

Da paciência

Normalmente só se fala dela quando esta começa a faltar.
E eu, paciente, tolerante, calma e compreensiva, impaciente apenas quando quero muito uma coisa e não tenho vontade de esperar (e, ainda assim, estou bem melhor que há uns anos), a dada altura começo a sentir um nervozinho interior, como se fosse um bichinho a morder-me, e começo a ficar com doses de irritação assustadoras que merecem um «afaste-se, para sua segurança», e começo a pôr tudo em causa e a questionar tudo, até a porcaria do produto para limpar o chão da cozinha, e começo a ficar cansada, e com vontade de desistir de tudo, porque eu, que tenho paciência para deixar que as coisas não sejam à minha maneira (única forma de elas existirem), começo a ficar sem ela, porque não tenho perfil para isto. Sou paciente para aquilo que me preenche, sejam pessoas, atitudes, objectivos, esperas, vidas... De resto, acho que mereço muito mais. E muito melhor. E não há pachorra para isto.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Carta para ti, Mãe


Mãe,

hesitei muito em escrever-te estas palavras. Tenho medo que o que escrevo te faça doer. Tenho medo que aquelas quatro macacas me caiam em cima por te ter escrito. Mas eu não consigo Mãe, eu tenho de escrever, eu preciso de escrever. Eu não quero que tu te preocupes comigo, quero que vejas nestas palavras um acto de libertação. Sabes bem que é a escrever que eu me liberto...

Mãe, tens um pedacinho de mim em todos os pedacinhos que te compoem, melhor, eu tenho um pedacinho de ti em todos os pedacinhos de que sou feita. E não vou deixar que nenhum, mas nenhum deles nos faça mal. Eu vou até ao fim do arco íris e volto se for preciso, vou montada num unicórnio buscar todas as poções mágicas que te ajudem, que nos ajudem. Porque eu não vou deixar que nada te aconteça. Vamos mandar essas porcarias todas que resolveram agarrar-se a ti (eu sempre disse que eras linda, inteligente e interessante, até os linfomas e esses mongolóides com nomes esquisitos te acham graça pa) dar uma grande curva, e sei que o Pai, lá em cima, está a olhar para essas bestas a pensar «sim, sim, bem podem tentar, essa mulher maravilhosa é feita de todos os materiais e mais alguns impossíveis de atingir».
Por isso, Mãe, estamos todas aqui (como se tu não soubesses), as tuas cinco filhas, e cada uma de nós se vai especializar ora em artes marciais, ora em yoga, ora em luta livre, ora em diplomacia, ora em super poderes e outra ainda em magia oculta, para que tenhamos todas as maneiras e mais algumas de mandar essa treta à merda. Aliás, acho que nem precisas, foste tu que nos ensinaste, melhor do que ninguém a sermos assim, fortes como o raio. Porque somos, lá choramingamos, batemos portas, berramos, lá se desaba o mundo inteiro sobre nós e olha só para nós, de novo erguidas, lindas, prontas para outra. Foste tu Mãe, com toda a tua coragem, com a tua humildade, com o teu bom senso, espírito de sacrifício, determinação e, sobretudo, com todo o teu amor, esse sim, verdadeiramente incondicional. Porque podes ter a certeza, que todas nós (e permitam-me falar em nome de todas), não temos orgulho maior que não sejas tu. Tu, só tu. Tu, Mãe, és o laço perfeito que nos une, e sempre unirá. E todas somos tramadas, não fosses tu do signo escorpião, e não tivessemos todas ido buscar a tua tenacidade e a tua força, a tua certeza. A tua altivez.

Por isto tudo, Mãe, não te preocupes, nós damos todas as mãos em teu redor e criamos uma fortaleza. Damos cabo de tudo, tens nas tuas filhas o homem-aranha, o super-homem, o batman, o X-man, o Hulk, a Xena princesa guerreira e todos esses pirosões que andam por aí a vencer o mal e a vencer batalhas. És a Maria Clara, nada vai apagar a luz que emanas.

Nós, por detrás deste ar aparentemente frágil, temos a força de um leão, não fossemos nós sportinguistas - não era por leão que o Pai às vezes nos tratava?- Ele sabia o que estava a dizer.


Ele sabia o que estava a dizer...

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Foi

Foi no poema
que eu venci
todas as mágoas e todas as dores,
todos os medos e dissabores

nele me rendi,
deixei gritar a voz descontente
larguei as armas e fui tenente
de batalhas e guerras e, finalmente, a bandeira branca.

Foi no poema
que eu aprendi
a rimar,
rimar receber com dar
sentir com pensar

nele eu imaginei eu construí
mundos não agora e não aqui
do que seria se não fosse
não fosse o rio dar ao mar.

Foi no poema que eu amei
loucamente, sem piedade
sem ninguém por perto a ver,
sem idade

nele eu senti saudades
do que partiu, do que não tenho
do que não existe,
do que já não está quando eu venho.

Foi no poema
que fiz poesia
desta assim, sem ironia,
simples e fácil como tudo quando eu ria

foi nele que me deixei estar
curiosa, medrosa e a andar
lentamente, sem ver,
tanto é o medo de olhar.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

O presente mais lindo...

foi da minha prima Rama, ainda não sei se foram as palavras, se a boneca em si... Se das duas coisas. Vou transcrever daqui (no site, vejam a boneca... é aquela que está ali a voar num balão do lado direito do asinhas).

«A Raquel já tem muitos anos. Não é propriamente velhota, mas já tem alguns.
Mesmo com estes anos todos, há muitas coisas que ela ainda não sabe.
Ela não sabe que, quando junta palavras em frases, nos faz sorrir e nos faz chorar. Não sabe que, por isso, nos prolonga a vida.
Ela não sabe que tem a essência da
Mami Madeleine – a coragem, a determinação, a sensibilidade, o voo, as asas, a solidão, a tenacidade e a poesia da Madeleine.
Ela não sabe que é a memória do nome que o nosso sangue carrega. Não sabe que é a força do nosso nome.
Acho que não sabe (saberá?) por que razão é uma menina poética.
É poética porque diz poesia em tudo o que faz. Porque tem uma mente que fervilha com o coração, porque, quando está silenciosa, os seus sentires gritam, e (acreditam?) quem está junto dela consegue ouvir o som ensurdecedor das suas palavras mudas.
A Raquel é de ouro e de estrelas, e a Mami Madeleine sempre lhe pertenceu.
Parabéns, querida Raquel.»

Sábado, Outubro 10, 2009

Antes e depois... We are familiy! I got all my sisters with me!

Pois que amanhã faço anos, e nada melhor que estas 4 mastronças para me acompanhar em cada Outono.
O antes, há muito tempo atrás...



















O depois, há uma semana...
Se quiserem, entretanham-se com correspondências, do tipo quem é quem...


Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Eu juro (caraças leiam, que estou indignada sff)

que me faz alguma confusão estar tudo a dar pulinhos de contentamento e com lagrimita no olho com o Obama. Não tenho nada contra ele, nem a favor. Verdade seja dita, para mim, ele não passa de mais um esquema muito bem montado ou, para falarmos nos meus termos, uma estratégia bem delineada de forma a fazer face às ameaças e a aproveitar-se das oportunidades para chegar aos objectivos (colocar os EUA no topo, restaurar a confiança no país politicamente, etc, etc...).
Nobel da Paz porquê? Porque tem ar de bonzinho e sorri? Porque mata moscas a brincar? Porquê? Porque tem feito esforços diplomáticos e revela muito «boas intenções»? Para mim, atribuir-lhe um Nobel é quase um atentado, por todos aqueles que verdadeiramente lutaram pela Paz no mundo e que não o faziam sentados numa cadeira de Sr. Presidente.
Nobel da Paz porquê? Quando ainda há pouco tempo fez declarações a mencionar a importância estratégica de vencer a GUERRA no Afeganistão e que provavelmente seria necessário enviar mais homens. Porquê? Quando investidas militares na Coreia e no Irão são cada vez mais faladas? Um homem que se recusou a receber o Dalai Lama na Casa Branca?
Ou as pessoas estão cegas e gostam mesmo de comer tudo o que lhes metem à frente, ou então o conceito de Paz mudou e eu estava a dormir (coisa aliás, que não me admirava).

Alguém se chegue à frente

Vi o novo filme do Lars von Trier. Ainda não consegui perceber o tipo de impacto que tem. É inquietante, perturbador, o que tem de horrível é exactamente o mesmo que tem de belo. Mas isto sou eu a escrever e não percebo nada de cinema. Uma salva de palmas à actriz Charlotte Gainsbourg que, curiosamente, é filha da Jane Birkin que fui hoje ver ao CCB. Mas isto sou eu novamente com espantos, que não sei nada destas afinidades e parentescos do mundo artístico.
Tia Madalena, se me estiveres a ler, vê o filme se faz favor, porque deves conseguir explicar-me tudo o que não percebi ou julgo ter percebido. Para mim é tudo uma grande analogia quer com a bíblia, quer com outras histórias e fábulas à mistura, para além do recorrente tema das mulheres em sofrimento.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

É sempre a mesma mosca...

Às vezes acho que tenho medo de ser feliz. Viver no pânico que de um momento para o outro a vida arranje forma de nos deitar um balde de água fria em cima e que tudo, comparado com o antes, pareça medonho e deprimente.
Outras vezes acho que não sei simplesmente ser feliz, questiono-me demais, exijo muito, fico sempre com um pé atrás, a pensar que se fosse de outra maneira, era diferente, talvez melhor.
Há ainda alturas em que simplesmente não acredito que isso exista. Coloco muitas dúvidas, procuro pontos fracos e provas de que é tudo imaginação nossa.
Falo felicidade no sentido interior, não no material, embora esse por vezes entre na equação. Sublinho isto porque me considero uma pessoa grata pelo que tenho e sei que há muita, mas muita mais gente com motivos para não se sentir feliz. Refiro-me àquele peso denso no peito, à nostalgia dos dias, o tempo que pássa e nós ficamos cada vez mais encolhidos dentro de nós. Penso no que poderia ter sido. Não no que é.
Depois há momentos em que acredito, sei que sou feliz. Quando aconchego cá dentro todos os de quem gosto. Todos os que são dignos da minha verdadeira confiança. Todos aqueles por quem peço antes de adormecer, tenha eu ido para a cama com as galinhas ou depois de uma noitada na discoteca. Peço sempre.
E depois isto faz tudo mais sentido se em vez de felicidade, trocarmos a palavra por amor. Não faz? A mim, sim. Tanto faz, que nem sobre isso consigo escrever sem ter medo.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Fenomenais paradoxos ou o que lhe quiserem chamar

Acabada de chegar há uma hora da primeira sessão do curso de escrita criativa, deparo-me com uma falta de imaginação assustadora. Espero que até Julho isto se resolva. Não, não esperava chegar aqui e revelar o Saramago ou o Lobo Antunes que há em mim, mas é engraçado que no processo de criatividade é preciso absorver e deixar amadurecer.
A primeira sessão foi acerca da necessidade dos pontos de vista na escrita, narrar uma mesma cena a partir de diferentes personagens e perceber a importância que um diferente narrador pode ter na história. Não vou maçar-vos todas as semanas com o que aprendi e experimentei, isto é mesmo para encher chouriços no blogue.
Amanhã começa o último ano de mestrado. Três cadeiras no 1º semestre e tese comigo. «Gestão de crises» é o que me aguarda às 18 horas. Vou sugerir umas horas dedicadas às crises existenciais, pode ser que pegue. Pode ser que faça uma tese sobre isso. Aliás, já está feita. Basta reunir os textos do asinhas...

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Passar à frente

Queria escrever, mas não escrevo. Não me apetece ferir susceptibilidades.
Nem uma vez, recordo-te. E isso entristece-me.

Domingo, Outubro 04, 2009

Comentário

Peço-vos que vejam a lista que uma das irmãs (a mais velha) completou, relativamente àquele post «em cinco irmãs...». Está nos comentários. O primeiro item é referente a mim.

Sábado, Outubro 03, 2009

Casar e faz de conta

Amanhã tenho um casamento. De uma prima direita que ao mesmo tempo é também minha madrinha. Da euforia de ter uma boa parte dos primos e família reunidos, e do contentamento de a ver feliz, sobra a quase certeza de que não me hei-de querer casar.
É que não há ninguém melhor para se entregar a 100% a mim, que não eu própria. Não sei se é exigência, insegurança, mas a verdade é que sou pouco tolerante ao «faz de conta». Pouco tolerante ao «vamos ser felizes à minha maneira», e não à nossa.
É que ainda por cima, a esteticista brasileira ontem, enquanto me arranjava os pés, disse «quem tem este dedo comprido (o 2º dedo do pé) é mulher que manda no marido».

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Pequenas coisas

Sempre me comovi com pequenas coisas. Dias em que olhava pela janela e via a vida toda lá fora, à minha espera. Datas memoráveis, esses dias tão longos que ficam guardados em prateleiras bem altas na biblioteca que é o nosso coração.
Sempre me comovi com pequenas coisas. Passagens de
livros, frases inteiras que dentro de mim faziam pulsar o medo imaginário de que um dia tudo acabasse assim; frases inteiras, palavra por palavra que se demoravam dentro de mim, me acompanhavam.
Sempre me comovi com pequenas coisas. Gestos simbólicos como o olhar triste de quem passa, sentar-me no autocarro ao lado daqueles que temem ficar sós eternamente.
Olhar as mãos mais belas, reconhecer os finos traços desenhados na perfeição, de um braço, de uma ruga.
Sempre me comovi com pequenas coisas, o verde campo, a natureza, o ar límpido que nos acolhe e nos enche o peito de ar. As estátuas da minha cidade.
Sempre me comovi com pequenas coisas, com cenas que não esqueço, passadas com grandes amigos, em que num gesto de amor puro nos dizíamos «somos dois pássaros que continuam a voar lado a lado».
Sempre me comovi com pequenas (grandes) coisas. A nossa fotografia, minha e do meu Pai, a memória que não tenho, o teu sítio resguardado dentro de mim. Olhar para a minha Mãe, sentada, vê-la dentro das nossas vidas com a dedicação intacta de quem ama. Olhar as minhas sobrinhas enquanto dormem, querer levá-las comigo, protegê-las, e pedir, com todas as forças, que sejam muito felizes.
Sempre me comovi com pequenas coisas,
música, sentir que poderia ser a perfeita banda sonora da minha vida. Os filmes, a imagem focada, a personagem vincada, o diálogo belo.
Comovo-me com o mundo. Com a passagem das vidas pelo mundo. E hei-de sempre comover-me, arrepiar-me, com todas as pequenas grandes coisas que sobrevivem na eternidade de tudo quanto existe. É em todas as pequenas coisas que respiramos, e é em todas as pequenas coisas que ofegantes ficamos sem ar. Porque todas elas, sem excepção, são tão, tão maiores que nós.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Lufada de ar fresco

Apesar de umas preocupações que pairam no ar, Outubro começou bem. Começou com a notícia de que a minha candidatura a uma bolsa de formação na Companhia do Eu, foi aceite e que, por isso mesmo, a partir da próxima semana e até Julho, às terças-feiras lá vou estar eu num curso de escrita criativa avançada. A par do curso, uma sexta-feira por mês há discussão de alguns clássicos. E reuniões individuais com os formandos e outras coisas que tal. E eu estou contente, porque preciso de mexer com a minha vida. E de escrever. Escrever e aprender, trocar ideias, desconstruir conceitos, ler outros. Ler-me a mim.

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Última hora II

Leiam o anterior para perceber a sequência lógica dos factos.
Agora, para compôr o ramalhete, Portas era encontrado a fugir de submarino com resmas de papel, em direcção a... à Rússia. Sim, parece-me bem.

Última hora!!

«O Presidente da República, Cavaco Silva, foi encontrado amarrado a uma cadeira, prestes a tombar, na sua residência.
Impossibilitado de falar, devido a uma super fita adesiva que tem colada à sua boca, limita-se a emitir sons que os agentes da autoridade destacados para tomar conta do caso não conseguem entender. Escrever é também impossível pois Cavaco Silva não quer que as suas palavras sejam lidas por outras pessoas e anunciadas por estas, uma vez que ninguém fala por ele.
Algumas testemunhas foram já interrogadas, dando pistas muito importantes para prosseguir a investigação do atentado ao Presidente da República: Maria José Nogueira Pinto e Zita Seabra (que revelaram estar infiltradas no PSD), o ex-ministro Manuel Pinho que confirma ter sido afastado por saber de "touradas institucionais" que não convinham vir cá para fora num momento de euforia no Parlamento e ainda Joana Amaral Dias que vem agora desmentir o convite do Partido Socialista e que ao mesmo tempo não sabe como isso se veio a saber, admitindo também que o seu telefone estava sob escuta.

Temos uma informação de última hora, parece que a Europol emitiu um mandato de captura a Durão Barroso e Alberto João Jardim fugiu para os Açores.»

Acho que já faltou menos para chegarmos a este ponto, não?

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Em cinco irmãs (eu incluída)

Queiram desculpar-me que por vezes este tema seja recorrente, o das irmãs, mas o que é que eu hei-de fazer se, para além da minha Mãe, tenho a sorte de ter quatro mulheres maravilhosas na minha vida? Tenho de falar nelas e para elas. Tenho de me rir e de chorar (por falar nisso vejam o filme «para a minha irmã»), tenho de inchar o peito de orgulho e de me irritar com os feitios diferentes. Por isso, em cinco irmãs...:

- duas são virgem, uma caranguejo, uma peixes e uma balança (eu)
- três são loiras
- nenhuma vota à direita do PS
- no secundário, duas de humanidades, duas de economia e uma de ciências
- uma tem a mania que canta (duas, vá...)
- uma não decora letras nenhumas (por sinal, uma das que tem a mania que canta)
- uma tem a mania das limpezas e arrumações
- quatro têm cabelo encaracolado
- todas têm menos de 1,70 m
- uma é orgulhosa (mais que as outras)
- uma tem a mania que é gorda (anda nos 50 kilos e tal vejam bem....)
- duas têm olhos claros
- uma é séria e reservada
- todas são justiceiras
- todas reclamam quando têm que reclamar
- uma enche a casa quando chega
- uma nasceu em Moçambique
- duas são asmáticas
- três fumam (por sinal, incluem-se as asmáticas)
- uma é canhota
- duas são pitosgas
- uma é despistada e compra grão em vez de feijão
- uma cada vez que se levanta do sofá deixa cair qualquer coisa - comando ou telemóvel
- duas são viciadas em gotas para o nariz
- uma é a cara chapada da mãe
- uma é um bocado histérica
- todas são viciadas em coca-cola
- três adoram comer caracóis
- duas são sportinguistas com garra, as outras são só sportinguistas
- duas escrevem (que eu saiba)
- uma tem hábitos irritantes (como rebentar a embalagem do bolicao)
- uma acende a luz a meio da noite para matar melgas
- duas ressonam (respiram com força... ahah!)
- uma já entrou num filme português
- uma já foi modelo do catálogo da cenoura
- duas já tiveram cabelo à Marco Paulo
- duas são marronas
- duas são calonas
- uma já foi assaltada, foi a correr atrás do tipo e tirou-lhe o telemóvel que lhe tinham roubado (digam-me se estiver a inventar)
- duas já perderam um avião porque estavam na fila do check in do lado
- uma vive no Alentejo
- uma já viveu no distrito do Porto, carago
- uma não gosta de bacalhau
- uma já ganhou um concurso das pernas mais bonitas de Monte Gordo (ahahah!)
- duas já foram consideradas gémeas (com 11 anos de diferença, note-se...)
- uma está armada em vaidosona
- uma ocupa metade do armário
- duas já são mãe
- uma tem o sotck da «pedra dura» em casa
- uma já teve meningite
- duas nasceram de cesariana
- uma devia lembrar-se mais vezes que gostamos dela
- uma foi buscar um cão a um canil
- uma tem jeito para desenhar e pintar
- uma tem as orelhas do lado do pai
...
- quatro são as mulheres da minha vida.

Um dia conto mais.

Sábado, Setembro 26, 2009

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Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Utopia

Não, não vou escrever acerca da conhecida obra de Thomas More. Mais facilmente escreveria sobre o Elogio da Loucura de Erasmo...

Sou eu, mesmo, que às vezes ainda me ponho a acreditar. Ainda dou por mim a sonhar acordada, a imaginar « e se» e «um dia», «amanhã», e uma série de condicionais e possibilidades incertas, ingénuas, idiotas, só para não deixarmos a letra i e termos aqui uma bela aliteração.

Com isto tinha tudo para ser comunista e não sou. Para umas coisas sou tão esperta, para outras, coitadinha...

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

R.

Já que se está tudo nas tintas para as minhas raízes, tal como, provavelmente, eu estaria para as vossas, numa de proporcionalidade directa, aqui ficam constatações ainda mais idiotas que esta última:

O meu nome começa por R, «erre». Está bem, eu erro.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Raízes

A senhora alta, imponente, de chapéu e roupas pretas, do lado esquerdo da fotografia, é a minha Trisavó Adelaide, e era de S. Tomé. Os noivos, os meus bisavós, ele natural de S. Tómé e ela do Pará (Brasil).

P.S. Como é que não querem que eu tenha este temperamento caliente?

Santana Lopes

Acho piada aos cartazes do Pedrinho espalhados pela cidade, no meio do blá blá, típico dos cartazes, o seu slogan é «Lisboa com sentido»...
Eu pergunto-me, com sentido? Só se for de humor, não?

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Enquanto me vias

Morrer no poema
asas feridas
de morte
de vida
sobreviver
respirar
nada dizer
aprender a calar
morrer no poema
naufragar pelos dias
à deriva do tempo
enquanto me vias.

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Pandemia cá em casa

Diz que não é a gripe A, mas é uma daquelas viroses que em menos de 48 horas meteu a famelga toda, menos as sacanas da mana mais velha e da penúltima, agarrada à sanita, e tal, e essas coisas todas. Aqui estou eu, a beber ice tea, devagarinho. Acho que estou a ficar com febre também.
Se eu tiver gripe A, aviso a malta, que é para desinfectar aqui o galinheiro e porem umas máscaras virtuais catitas antes de cá entrar para ver a pata choca. Que se lixem as galinhas. Ai, a senhora enfermeira da saúde 24 perguntou-me se eu tinha consciência das coisas, disse que sim, mas acho que a estou a perder.
Ao querido Patrick Sawayze, um sentido «descansa em paz», porque vai ficar eternamente na minha memória como John, do Dirty Dancing e o que eu dava para ter aprendido a dançar com ele.
Eu não disse? A cena da consciência?

Domingo, Setembro 13, 2009

Guns n' fuckin' Roses

gosto de pensar em como esta música (a minha preferida), foi feita para mim («use your illusion»...). Ouvir com o volume no máximo s.f.f.










She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was as fresh as the bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I'd stare too long I'd probably break down and cry
Sweet child o' mine
Sweet love of mine
She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain I hate to look into those eyes
And see an ounce of pain
Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder
And the rain
To quietly pass me by
Sweet child o' mine
Sweet love of mine
Where do we go
Where do we go now
Where do we go
Sweet child o' mine
Este é, definitivamente, o post mais pscícadélico deste blogue.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Contra-Publicidade

Se eu podia viver sem a Zon? Podia. Mas não era a mesma coisa...







ERA MELHOR!

Quinta-feira, Setembro 10, 2009

E depois acontece-me

ter uma vontade súbita de mandar tudo pelos ares.

Acho que é desta...

Comecei a escrever um «livro» ou um embrião de livro, ou uma tentativa, ou que quiserem chamar. Uma história vá. Comecemos de novo... Comecei a escrever uma história há coisa de uma semana, partiu de uma ideia que já tinha na cabeça, em que o mote para o livro existir, a história, já cá cantava. Tinha ideia de que profissão queria que a personagem principal tivesse e uma vaga concepção de como esta seria.
Tenho escrito todos os dias, vou desenrolando a história ao sabor das palavras.
E acho que é desta pelo simples facto de que dou por mim, no dia-a-dia, a pensar nas minhas personagens, no que lhes «vou fazer» e como, se será melhor assim ou assado.
Façam figas. Já cá cantam 30 páginas.
Espero que falar nisto não dê azar.

Terça-feira, Setembro 08, 2009

Não sei como é que ainda não partilhei isto...

Este é sem dúvida um daqueles livros que não se esquece. Pela lucidez das palavras, que se esconde por detrás de uma ironia feroz e de uma sensabilidade disfarçada; pela incisão do pensamento, que traduz, na minha modesta opinião, tudo aquilo que pensamos, crentes ou não.


Olhar o Nada e Ver a Deus é uma constante negação da existência deste, é uma revolta inteligente, não daquelas em que se nega a existência de um deus ou se condena o que «ele» faz enquanto presença existente. É um complexo jogo de espelhos, em que num momento nos vemos perante a sua presença e nos desiludimos com ela, e noutro momento, não antes nem depois, mas talvez no mesmo, olhamos o nada e nesse vazio o reconhecemos.


Não é um apelo, não é um desabafo, não é sequer a tentativa de provar que existe ou não existe. É, na simplicidade necessária de quem escreve, uma constatação. E é daqueles que faz rir e chorar ao mesmo tempo. E esses livros, são aqueles que não se esquecem.
Poderão, certamente, encontrá-lo por aqui:
E este «Caeiro», é sim, um verdadeiro mestre.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

«As velas ardem até ao fim»

E até ao fim, elas arderam, Márai.
Até ao fim...

Domingo, Setembro 06, 2009

Silêncio

Momentos há, na nossa vida, em que não encontramos palavras, só sentimos, só pensamos. E no silêncio de quem se fecha, as palavras talvez ganhem força.



Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Não gosto... (round number one - talvez)

- de ser mal atendida/servida
- de ar condicionado
- de carne mal passada
- de fazer escolhas
- de gritar

- que gritem num tom acima do meu
- de andar de comboio
- que não saibam pedir desculpa
- de viagens de autocarro muito rápidas quando tenho tempo
- de ver pessoas a deitar coisas para o chão
- da maioria das crianças entre os 5 e os 10 anos de idade
- de ficar a segurar portas quando as abri para eu passar ou para alguém comigo passar e entretanto está a malta toda a passar e eu feita porteira
- de vitimazinhas
- de gente irritante que vai com os telemóveis a dar música nos transportes públicos

- de motoristas de autocarro que não abrem as portas quando estão parados perto da paragem
- de não ter comigo gotas para desentupir o nariz
- de ingratidão
- de estar aflitinha para fazer xixi
- que tratem mal quem está comigo
- de azul
- de azul escuro
- de azul turquesa
- de roxo e lilás
- que me façam de parva
- de gente sonsa
- de sorrisos amarelos, azuis ou cinzentos
- que me perguntem se fiz madeixas
- de pintar o cabelo ou coisas que tais (nunca fiz)
- de ver mulheres/miúdas com as banhas a sair por fora das calças de ganga de cintura mega descaída em que também se vê o rabo
- de all stars
- de botas de cano alto e com salto
- de sapatos/botas bicudos
- de usar t-shirts
- de ter olheiras
- de chegar atrasada
- de esperar
- que me digam que sou/estou magra (experimentem dizer alguém que é/está gordo...)
- que me chateiem para comer
- que me perguntei o que comi
- que me repitam a mesma coisa, quando já dei uma resposta da primeira vez
- que insistam comigo
- que me atirem coisas à cara
- de cobrar favores
- que me cobrem favores que fizeram
- de gente preconceituosa
- que me interrompam quando estou a escrever qualquer coisa
- de pessoas que acham que têm alguma coisa a ver com a vida dos outros e condenam-na mesmo que isso não interfira em nada com a sua

- de meias palavras
- de meias verdades
- de omissões perigosas
- de trabalhar em grupo
- quando me dizem exactamente o que é para fazer
- de discutir com a minha irmã I.
- de ver as minhas irmãs discutir
- que tratem mal a minha Mãe
- de tratar mal a minha Mãe
- que insistam para deixar de fumar
- de ver mulheres tão queimadas que ficam com ar de tias ciganonas
- de ver unhas sujas
- de gel
- de arctic monkeys e todo o tipo de musicalidade que se enquadre no género destes
- de computadores e máquinas a dar erro
- de combinar coisas com antecedência
- de ir às compras
- que me interrompam quando falo
- que mudem de assunto quando termino de falar sobre qualquer coisa
- de ler com a televisão ligada, música ou pessoas a falar perto
- de conversar nos transportes públicos
- de ter a pilha do mp3 no fim
- de pessoas que deixam de fazer coisas quando não podem ir de carro
- de peixe-espada
- de patês que não sejam de atum e sardinha
- de grandes multidões
- de ver unhas roídas
- de ver dentes sujos
- de ver caspa
- de conservadorismo e neo-conservadorismo
- de acordar cedo
- de acordar tarde
- de comida sem sabor
- de usar fio dental e tanga
- de comunismo e da «esquerda caviar»
- quando pessoas não querem provar comida indiana
- de mulheres/míudas comprometidas a oferecerem-se a pessoas comprometidas
- que me escondam
- de pessoas insensíveis
- que me digam «nunca mais disseste nada», quando a pessoa também nunca mais disse nada
- que se esqueçam do que contei
- que me perguntem «sabes o que é/quem é/quem foi?» quando podem explicá-lo sem perguntar
- de conversas pseudo-intelectuais sobre artes em geral, em que se percebe que as pessoas em causa estão a forçar esse tema de conversa
- da opus dei
- que façam cara má comigo, não me metem medo
- de peluches
- de não conseguir adormecer
- que ressonem e eu ouça
- de dormir apertada pelos lençóis
- que me acordem para perguntar ou dizer qualquer coisa inútil
- de levar com benfiquistas quando ganham ou o sporting perde
- de faltas de consideração
- de pessoas pouco compreensivas
- de Álvaro de Campos
- de pessoas que comem e calam
- da minha professora de educação visual do 9º ano
- de maus professores, sem sentido de pedagogia nenhum e sem preocupações científícas nenhumas
- de intrigas
- de gente má que nem má sabe ser
- de discutir
- de pensar no meu Pai (se calhar, gosto, não sei)
- de estar nervosa e preocupada
- de ir para sítios que não aquele onde costumo estar, no bairro alto
...







e como termina o Mc Xeg numa música «gosto de muitas outras coisas, por uma questão de educação... não digo.» Eu acrescento: «não gosto de muitas outras coisas, por uma questão de educação... não digo.»

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Em busca de...

Vem parar aqui malta que procura desde "dread locks para o rabo de cavalo" a "papa maizena engorda", mas, o mais procurado na internet que é reencaminhado para aqui é "asinhas de frango", não sei se à procura de receitas se do blogue (voto na primeira opção)... nunca comi asinhas de frango mas prometo que um dia deixo aqui uma receita à maneira para fazer o jeitinho.

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Vou escrever

Vou escrever
quando não sei
libertar-me do que não dei,
amanhã talvez seja bom dia para narrar.

Vou soletrar cada letra do teu nome,
partir em direcção ao cume
deixar o amor ao lume.

Vou sentir o dia dentro dos olhos
paciente, esperar que vejas.

Vou escrever
quando não sei
nem como nem porquê
das palavras sei apenas o cheiro
de quem não vê.

Segunda-feira, Agosto 31, 2009

31 de Agosto de 1990

Pai,

poderia dizer-te o mundo,
dançar nas palavras enquanto te escutava,

deixar que me dissesses «os teus cabelos nascem das minhas mãos
e os teus olhos debaixo da minha pele»,

mas,
só te consigo escrever:

mais um ano da tua partida
ensinou-me a amar-te melhor,

e eu tenho tantas
tantas saudades

de te conhecer.

Sábado, Agosto 29, 2009

Deus escreve direito por linhas tortas,

e é por estas e por outras que tenho muitas tonturas.

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Às vezes

«Às vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem o terror e a mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água.«

Sophia de Mello Breyner Andresen

Às vezes, Sophia,
do longe distante
que não foi,
chama meu nome
a eterna dúvida
do que poderia ter sido.

Mas logo me contento,
se assim se deu o caminho,
viajo cá dentro, meu sustento,
e não tenho medo de olhar em frente,
devagarinho.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

Quem já não sentiu

Quem já não sentiu,
ao de leve, pela pele,
páginas a serem viradas,
folhas de papel.

Quem já não sentiu,
simplesmente, sem mais nada,
o peso pesado da tentativa,
seja ou não falhada.

E no tempo,
descansa perdida,
a velha luz
da tua chaga.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Se há coisa que me aborrece...

é que me troquem o nome. Sobretudo se for o da ex-namorada, de há 987636 anos. Mas pronto, no meu B.I. continua o mesmo nome, não vá começar a achar que sou eu que não sei como me chamo.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

Amor não é...

Desde há quase três anos para cá que fiquei descrente no amor. Não sei se descrente será a melhor palavra, mas a verdade é que depois de um namoro (o primeiro e o último antes deste) falhado, em que andei três anos às cabeçadas e achava que aquilo era amar, as coisas deixam de ser tão lineares e é compreensível que punhamos em causa tudo o que tinhamos por certo.

Várias são as vezes em que este tema vem à baila entre amigos, em conversas descontraídas, uns que dizem amar, que estão perdidamente apaixonados, que é a tal ou o tal, outros mais cépticos, como eu. Não sei se será cobardia/medo de me deixar envolver pelo que sinto sem pensar no que poderá correr mal, se será simplesmente um acto de inteligência.

Em conversa com uma amiga há uns dias, dizia eu que gostava muito, e que era dedicada e amiga e companheira, o que, basicamente, é a mesma coisa ou até mais qualquer coisa, do que todos aqueles que dizem amar. Quantos não são esses que amam e que depois tratam mal, mentem, enganam, acabam, desrespeitam?

Talvez seja só a palavra que me assuste, é que tenho para mim que a partir do momento em que se diz uma coisa dessas é para ser tudo perfeito, e se, bolas, o amor corre mal, então não haverá esperança para nada nem ninguém. Prefiro acreditar nas relações que vão amadurecendo sem a pressa da consumação final do "amo-te". Quando se chega ao amo-te acho que os erros se tornam mais difíceis de perdoar, porque quando se ama é suposto correr tudo bem. Sim, porque eu sou apologista deste tipo de amor (caso exista), não do amor que nos impingem nos filmes e nas histórias, em que o amor é uma pista de obstáculos, super sofrido, em que a pessoa tem quase que morrer para depois ser feliz.
Se existir, ele deve ser simples, calmo e paciente. Não dramático. Deve ser perfeito. E como eu acho que isso não existe, também não vou dar esse nome ao que nos resta. E o que nos resta chega, porque se virmos bem, a palavra amor pesa. E acho que sem ela somos capazes de amar melhor...

Domingo, Agosto 23, 2009

Uau, fantástico, maravilhoso


Estas devem ser as únicas fotografias das minhas férias.
Dos meus 3 dias de praia. Estou com uma séria vontade de hibernar e acordar talvez lá para Maio de 2011. Dava-me jeito. Não, não andei a trabalhar.





Sexta-feira, Agosto 21, 2009

R.L. 4 - O PSD

Não sei se alguém teve oportunidade de ver a candidata a 1ª Ministra na RTP, na Grande Entrevista. Eu tive, e cheguei a uma conclusão, aliás a três:
Manuela Ferreira Leite não sabe nada, nem do seu programa nem das suas ideias, não sabe o que vai fazer, nem como.
Mais valia terem começado a entrevista assim "chama-se Manuela?"... "Não sei".

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Tenho de contar

Não consigo esconder isto mais tempo... estava ele à espera que a menina saísse da casa de banho do alvaláxia, de costas para a mesma, encostado a um corrimão com vista para o andar de baixo, quando eu, mando um espalho fenomenal à saída da casa de banho, porque escorreguei em qualquer porcaria, e fiquei de rabo sentado no chão. Ele de costas sem ver nada, eu levanto-me, meia dorida, meia a rir, chego ao pé dele e seguimos.
Pronto, já sabes. Caí espalhafatosamente apenas uns metros atrás de ti e não viste. Agora ri-te, que eu cada vez que me lembro é o que faço.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

A conversar contigo, Márai, de novo

Sinto que passámos a vida toda à espera. Esperar que os dias se reflectissem em nós e não o contrário. Digo passámos porque gosto de escrever como se o fim se aproximasse calmamente, como alguém que passeia ao fim da tarde sem pressa de chegar a casa. Como se o passado todo tivesse sido uma sucessão de imagens tardias, desfocadas, que nos assaltam no final da vida, mesmo que o final da vida seja apenas mais um final da noite.

Passámos a vida toda à espera, porque os dias eram sempre mais rápidos que nós os dois, porque sempre fomos uns sacanas com a perfeita noção do presente mas sempre, sempre a projectar o que já foi no amanhã. E é isso que esperamos incansávelmente, o amanhã que retorna às nossas mãos, imaginamos repetidamente todas as cenas que já antevimos na nossa cabeça, e que esperamos, com uma paciência quase triste, que aconteçam. Parece quase complicado, mas tu sabes. Sabes que esperaste.

Esperámos os dois por nós. Pelo momento único em que tudo se dissolveria, resolveria, numa palavra, num gesto, num sentar numa cadeira velha e gasta, pegar no livro que lemos, e folhear as páginas com uma certa arrogância, uma certa distância, porque estamos só a fazer tempo, antes do momento. Do momento em que chegamos até nós, porque procurar não chega, é preciso esperar que se tenha vontade de ir em busca do que julgamos ser. Já viste como quase toda a gente tem tanta pressa em encontrar-se? Tanta pressa nas palavras, nos verbos e nos dias, tanta pressa no final, que acabam por deixar atrás de si um rasto de migalhas que lhes impossibilita de se perderem no caminho, mas que também não lhes permite tentar outros.

Esperar é doloroso, sabemos. Mas sabemos também que imprime alguma verdade nas nossas vidas, porque quando tudo simplesmente acontece e se dá parece que ficamos despidos. E não há mais dia nenhum no horizonte. Esperamos, mesmo que a espera seja eterna, e é assim que ela fica tão bonita.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Friends will be friends...

Poderia começar este texto de inúmeras maneiras, inevitávelmente hei-de acabar por repetir-me em frases feitas e mais do que batidas, mas não é essa a minha preocupação do momento.

Eu sou uma tipa cheia de sorte, é esse o facto. É que, a par de raramente me terem passado pelas mãos amigos da onça, e a par do facto de ter um faro do caraças para escolher amigos, os que escolhi, ficaram, ainda cá estão, não se foram embora, não se dissolveram na distância nem no tempo, e sei que não o vão fazer.

Os meus amigos são aqueles que não me cobram por não estar com eles nem lhes dizer nada, são aqueles que apesar de semanas e semanas sem contacto, me recebem de braços abertos como se os tivesse visto ontem, sem haver silêncios constrangedores, porque silêncios há, o silêncio da cumplicidade.

Eles simplesmente passam à porta de casa para fumarmos um cigarro. A eles posso dizer-lhes "não me apetece ir" sem que haja drama, os meus amigos ficam no mesmo sítio do bairro alto porque eu não tenho pachorra para andar lá a passear.

É com eles que imagino como vamos ser daqui a 10 ou 20 anos, e rimos e certamente temos vontade de chorar porque parece que tudo se vai evaporando à medida que gastamos os cartuchos à vida.

Apetecia-me escrever imensa coisa, mas seria injusto relatar especificamente assuntos relacionados só com alguns, porque eles são duas mãos cheias deles, uns de uns tempos outros de outros, havendo ainda aqueles que apesar de conhecer há anos, só gradualmente foram conquistando espaço cá dentro.

Seremos sempre pássaros a aprender a voar, cada vez mais alto.

E agora porque me apetece, espeto algumas fotografias, as que me apetecem, sem distinções ou posições no ranking. São apenas recordações de momentos, e quando penso no que sinto por um, lembro-me do que sinto por todos. A fotografia dos noivos, portanto, err, interpelá-mos os moços na noite dos santos populares há dois anos, e toca de tirar fotografia, quando reparámos, estavam turistas a tirar-nos fotografias com eles também.

P.S. Obviamente que eu sou sempre a da cabeleira encaracolada, castanha clara.






Domingo, Agosto 09, 2009

Força


Podem tirar-me tudo, poderia perder o mundo, estarei sempre aninhada no teu peito, embalada no bater do teu coração.

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Para ser

Por isso sempre gostei de tudo o que é simples, puro e calmo, quando estas três qualidades fogem do meu alcance e das minhas possibilidades, encolho-me até desaparecer, não fui feita para combater, nasci somente para ser.

Terça-feira, Agosto 04, 2009

A coisa mais feia do mundo, sobretudo para os amantes da verdade

Lembro-me da primeira vez em que senti aquela pontada no peito e o nó no estomâgo, da primeira vez em que me magoaram a sério, me mentiram e me enganaram. Lembro-me de ficar nervosa, desamparada, tipo barata tonta, de chorar, de querer gritar e de ficar incrédula.

Lembro-me também que depois dessa vez vieram outras, no auge da nossa adolescência acreditamos sempre que foi a última. Temos força de peito para começar do zero, e pegamos nas cartas para recomeçar o castelo. Lembro-me de que era mais fácil, isso de voltar a acreditar, de entregar-me e dar a outra face para nova chapada de luva branca, afinal, o amor era isso, não era? Era ser-se indescritivelmente estúpido e só nos apercebermos disso quando, depois de muitas últimas vezes, chegamos à conclusão que quem nos está a enganar em primeiro lugar somos nós mesmos.

Hoje, anos depois, o meu coração não acredita mais, eu bem tento, juro, mas graças a deus ou o que quer que seja, que tenho um lado cada vez mais racional fantástico, que mesmo quando me deixo embebedar com palavras doces, paixão, momentos felizes, me puxa sempre para dentro e fecha calmamente as portas do coração, agradecendo, educadamente, aqueles momentos de filme romântico. Se sou mais feliz assim? Não sei. Mas certamente não serei tão parva.

É que agora, quando me magoam, me mentem ou me enganam, eu não estava à espera de outra coisa e a chapada em vez de ser de luva branca é sem luva. Agora, quando me enganam, me fazem de parva, fazem-no só nas suas cabecinhas, porque eu, apesar do nó no estomâgo e do coração a mil à hora, não fico incrédula nem tão-pouco choro. É somente um desprezo enorme, às vezes até por aquilo que consigo sentir mesmo quando me fazem destas.
E depois chegam as certezas. As certezas de que não há nada mais valioso do que todos aqueles que sempre foram suficientemente fortes para gostar de nós a sério, por inteiro, aqueles que nunca nos enganaram nem mentiram, porque a verdade deles fomos sempre nós, foi sempre a nossa. E é por eles que fecho o meu coração. Porque não merecem ver-me com ele nas ruas da amargura, por causa de uns e de outros que nem sempre me respeitam como ser inteligente e sensível, que sou.

Domingo, Agosto 02, 2009

asinhasdefrango

Mais uma bela imagem da minha prima (http://minhamami.wordpress.com/):

«Asinhas de frango... e o perú tinha de achar que estavam a falar nele...»


Terça-feira, Julho 28, 2009

Não resisto... R.L. 3 - 0 PSD

Já estou a sim a modos que farta de andar a ver esse outdoor do PSD, em letras bem gordas a dizer ao povo todo que nunca baixam os braços.
Já se percebeu, ok? Toda a gente já sabe de onde vem o cheiro a sovaqueira... Agora deixem-se lá de arranjar formas mirabolantes de meter toda a gente grog com o pivete, e em vez de andarem de braços no ar façam qualquer coisa de útil, é que de bracinho sempre levantado não dá para fazer grande coisa.

Sábado, Julho 25, 2009

Antes só...

Estava a pensar escrever um belo post sobre um determinado assunto e, convencida de que poderia exprimir-me melhor com palavreado e floreado, acabei por apagar e voltar a escrever várias vezes, acontece que não estou com pachorra e deixo aqui aquilo que no fundo me apetecia dizer: antes só, que mal acompanhada. Agora vou ali ler mais umas páginas do livro que ando a devorar (o último do Stieg Larsson, que aconselho - há que ler os outros antes), e vou massajar o cérebro enquanto desfruto da minha própria companhia. Alguém já fez isto? Melhor, alguém já teve consicência que o fazia, enquanto apreciava a própria companhia? Aconselho.

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Porque são mesmo, mesmo bonitas...

Estava a tentar escrever um texto de introdução sobre o facto de ter uma família de artistas não-artistas, porque a única pessoa que se dedica oficialmente às artes é a minha Tia Madalena (pintora), antes de ir directamente ao assunto e não consegui. A boneca linda que vão ver na imagem foi feita pela minha prima (quem sai aos seus, não degenera), no blogue dela há mais, há também uma pequena explicação acerca do nome «Mami», e o que a inspira. Esta é a Madeleine...
Belas, delicadas e sensíveis, é o que poderia dizer quando olho para estas pequenas grandes peças de arte. Vale mesmo a pena espreitar.



Esta imagem vai ficar na barra lateral do meu blogue, basta clicar na imagem e vão dar directamente à casinha virtual destas bonecas (ao blogue...), de qualquer modo, aqui fica: http://minhamami.wordpress.com/.

Terça-feira, Julho 21, 2009

De improviso em passeio de carro por Sintra

Amanhã será sempre mais belo,
como de resto, aliás, todos os dias,
amanhã será sempre o dia
em que tu virias.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

E depois...

Sentimos um baque profundo no peito, os ombros descaem, e é aquela sensação de uma profundidade imensa a aninhar-se no coração, quando damos por nós tão sozinhos, sem explicação.

Vou apanhar ar, estudar para a biblioteca, fazer malabarismo com a vida.

Domingo, Julho 19, 2009

Bem-vindos ao mundo encantado das alergias, dos espirros e das constipações...

onde há lenços de papel usados,
anti-estamínicos
e muitas irritações.

É sempre bom. Devo estar a querer entrar para o guiness do "a mulher aparentemente saudável mais medicada de sempre".

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Patati, patata

Depois de uma oral (à qual, estupidamente, me propus) que não correu nem bem nem mal; depois de uma hora à espera para fazer uma ecografia, com uma vontade enorme de ir à casa de banho, para depois demorar nem um minuto (sem exagero) a ser ecografada (existe?), chego a casa e penso no calhamaço acerca de espionagem que tenho de ler (sim, sei a cor dos olhos e o tamanho da roupa de todos os visitantes do blogue, ahahah!)... mas antes preciso de uma sesta, e preciso de acabar rapidamente com estas trapalhadas porque já tenho em mãos o útlimo livro do Stieg Larsson.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Nem chega a dilema

Eis que perto do momento em que devo começar a escrever a minha tese e terminar o mestrado, me dá uma vontade súbita de fazer mais outra licenciatura, pós-graduações e quem sabe outro mestrado. Devo estar a ensandecer, no mínimo. Não, mas de facto, há uma ou duas pós-graduações que me interessam, mas eu não tenho perfil para estudar. Para trabalhar também não, que desde que me enfiei num estágio foram só desgraças atrás de desgraças, tipo alergia ao trabalho. Por isso, não sei sinceramente o que faça.
Sexta-feira jogo no euromilhões.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Seria quase fatal

Seria quase fatal, dir-me-ias.
Quase fatal que tanto quisesse encontrar,
dos dois lados da mesma vida,
um único sítio para descansar.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Algés acolhe concentração de participantes em funerais...

ou então está tudo de luto pelo Michael e o caixão dele está exposto nesta bela freguesia, que é Algés e eu não sei. Uma pessoa sai de casa e é só ver malta vestida de preto, com doc martens e outro calçado assim com ar agressivo (à falta de melhor os all star também ajudam a compor a fatiota), cabelos fartos, vermelhos e pretos e, porques estas coisas do luto afectam todos, até meninas com ar de betalhonas eu vi vestidas de preto.

Agora eu interrogo-me, e aviso já que nada tenho contra a música que estas pessoas vieram ouvir ao Alive, mas é mesmo necessário o outfit? Esta gente anda assim mesmo, todos os dias, quais figurantes (ou lá o que seja) da Casa do Terror ali da feira popular? Não, pois, não me parece, até porque já não há feira popular. Esta gente tem religiosamente guardada uma gavetinha (ou, para os mais fanáticos, metade do armário) com a roupa das ocasiões especiais para concertos, e quando estes acontecem, dão-se como que pequenos carnavais espalhados ao longo do ano.

E depois, claro está, interrogo-me desta pancada estranha que afecta a população juvenil em geral que é a dos festivais, mas pronto, vá, isso é de mim que sou pouco dada a ajuntamentos, a não ser, claro está, que a probabilidade de aquela banda ou cantor cá voltar seja nula. É a crise, é a crise. Está tudo desempregado, sem dinheiro, a chumbar nos exames de matemática (achei que esta constatação poderia ficar aqui bem) e toca de resolver o problema com litrosas na mão a "córtir" um "ganda" som!!

It's a tough man town, there's no crown and no throne

It's a tough man town
There's no crown and no throne


Terça-feira, Julho 07, 2009

Quem padece deste mal ponha a mão no ar

Não vos acontece pensar em determinadas pessoas e ficar com cólicas? A mim acontece. Só de ler ou pronunciar o nome delas e pensar que, infelizmente, de uma forma ou de outra, tive o azar de me cruzar com elas na vida, directa ou indirectamente, fico com cólicas.

É uma frase que costumo usar muito até "essa gaja dá-me cólicas".

Devo ser muito sensível a porcaria estragada.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Pois é meus amigos, isto dava uma série familiar de comédia-drama.

Ser Mãe de cinco filhas é isto....
Liga-se para uma delas insistentemente e ela não atende, nervos à flor da pele, logo a pensar num dramalhão de primeira, não atende em casa, não atende telemóvel... Vem-se a saber, por outra filha, o motivo da primeira não atender, mais irritação, nervos. Vem ter-se com uma outra filha à consulta (eu) com os nervos em franja, a responder torto (isto depois desta filha ter ligado de manhã, assim num tom pouco simpático para saber onde estava a porcaria do papel da consulta que desapareceu e as mães têm a mania de guardar essas coisas e tirá-las do sítio), pelo que a filha também é pouco simpática e a mãe que foi ter ao hospital se vai embora, após sugestão da primeira.
E ainda só são 17.30 da tarde, quando chegar a altura de saber o que queremos jantar a coisa complica-se mais um bocado. Ufa, ainda bem que não vou estar em casa!

Quando pensarem em filhos, não pensem nas fraldas e nas noites mal dormidas, pensem em aturá-los quando forem gente grande. E agora imaginem, serem cinco filhos. Melhor, filhas.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Nunca havemos de ser nada

Nunca havemos de ser nada
nunca havemos de ser ninguém.
Seremos sempre gente estourada,
à procura de si aqui e além.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Orchestral Suite No. 3 in D Major, BWV. 1068

Pela primeira vez neste blogue, um vídeo do youtube...
Porque a minha alma, a minha alma... me pede.



Segunda-feira, Junho 29, 2009

Eu aos pedaços

O que te choca: pessoas quem não sabem estar; intransigência; ignorância.

O que te arrepia: quando se começa a ouvir o piano na música dos Sigur Ros «viorar vel til loftarasa».

O que te excita: saber que vou fazer alguma coisa ou ter alguma coisa que quero muito.


O que te solta: estar com pessoas de quem gosto, em quem confio, e com quem estou à vontade.


O que te faz rir: disparates.

O que te faz chorar: pensar no que sinto, em determinados momentos.

O que te causa náuseas: vítimas da sociedade; cheiro a gasolina.

O que te falta para seres feliz: o meu Pai.


O que te traz infelicidade: pensar que não sou capaz.

O que te magoa: que sejam injustos comigo.

O que desejas: força, coragem e serenidade.

O que receias: regressar ao ano de 2005.

O que não queres perder: amor-próprio.

O que queres alcançar: um livro publicado, um guião escrito, uma tese de mestrado interessante e pioneira.


Uma data que abominas: passagem de ano.

Uma festividade que adoras: nenhuma.


Uma qualidade que aprecies nas pessoas: inteligência.

Uma característica que abomines nas pessoas: insensibilidade.

Uma mentira que tenhas dito: "hoje não posso, tenho que estudar."

Uma nostalgia: os Natais com os vinte e tal primos e com os 7 tios em casa da minha Avó.

Vida: muitas vezes não lhe compreendo o sentido.

Amor: algo não comprovado cientificamente!


Casamento: depende de quem casa.

Família: principal causadora de dores de cabeça e, sem dúvida, o meu porto de abrigo.

Dinheiro: é preciso saber viver sem ele.

Homem: chegou à Lua. ahah!

Mulher: sexo-forte.

Desejo: ter mais força de vontade.

Sucesso: deve vir aos poucos, repartido em diferentes alturas da vida.

Profissão: ser investigadora em ciências sociais, professora universitária.

Saúde: desde Abril a tomar medicamentos.

Internet: um instrumento um bocado estranho.

Presente: não há forma de escapar.

Passado: útil para não cometer borradas.


Futuro: logo se vê.

PolÍtica: ninguém sabe viver sem ela, e os que sabem, só o sabem porque esta o permite.

Brasil: um país onde tenho família. (não percebi esta de meterem aqui o Brasil!)

Sexo: a minha vizinha de cima adora.

Arte: capacidade de nos exprimirmos, com os adornos certos, a medida correcta, e os enfeites necessários.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

No dia em que...

William Bruce Rose ou Saul Hudson, morrerem (Axl Rose e Slash, respectivamente), faço um post sobre o assunto e possivelmente choro e possivelmente deixo a minha cabeleira crescer e pinto-a de preto e meto uma cartola na carola.

Agora, Michael... podias dançar muito bem, mas bem podes "Knocking on heaven's door" que não me parece que alguém te abra.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Apenas ver-te

De toda a beleza
nada mais belo que ver-te

apenas ver-te
por entre os teus hábitos habituados
por entre os teus silêncios leves,
por entre ti, que te vês cansada.

Apenas ver-te,
nada mais belo.
Saber-te onde te possa escutar,
perto o suficiente para te agarrar,
estares em todo o lado onde eu vou estar.

Quando me falavas ontem,
de um não sei quê qualquer,
a ti te via Mãe
e a tua eterna beleza me comovia.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

A minha sobrinha Maria Clara...

Fez hoje oito anos. Hoje, Clarinha, escrevo o teu nome para toda a gente ler e saber como ele é bonito. Aliás, tudo em ti é bonito.
És a luz reconfortante das manhãs de Verão, és, minha querida, o mais belo raio de sol que vem, todos os dias, acordar-me. E é tão bom acordar e saber que existes.
Gosto muito muito de ti, parabéns meu anjinho.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Paralelo da Existência #4

"E morreram infelizes para sempre."

E pronto, aqui se vê a minha capacidade fenomenal de escrever a porcaria de uma história.

Ou me dedico à pesca ou, caso tenha algum feedback da vossa parte, tento dar continuidade a esta história (que começa pelo post mais antigo).

Enfim, agora vou ali ver se apanho uma pescadinha.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

É uma tristeza sem fim

É uma tristeza sem fim,
assim desamparada,
são pequenas pedras presas ao ouvido,
é do pensar morrer afogada.

É uma tristeza sem fim,
abandonada,
chora gotas de tempo, coitada,
ninguém a vê, ninguém nada.

É uma tristeza sem fim,
quase imaculada,
pérolas deixadas à beira da estrada,
é estar todas as noites acordada.

É uma tristeza sem fim
no meu peito
é lembrar-me de mim por defeito,
viver quase sem jeito.

É uma tristeza sem fim,
Sophia, Florbela todos os poetas,
é gritar-vos assim, é perder-me dentro dela.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Porreiro, queres falar sobre isso?

Pois que estou irritada, pois que ando com um humor de cão raivoso, pois que ando pelos cabelos de tudo quanto se mexa, tudo quanto fale, tudo quanto respire.

Ando a desejar que o mundo desabe, que se encham todos de moscas, que comam todos sabão, e que, de preferência, não me queimem a pachorra.
Às vezes sinto-me uma bola de cotão, a vaguear ao sabor de qualquer coisa, - porque não sei exactamente ao sabor de quê que as bolas de cotão vagueiam - que incomoda, mas que também facilmente se arruma a um cantinho ou debaixo da cama.

Às vezes tenho ataques drásticos de 8 e 80, do tudo e do nada, do sim ou sopas. Penso que se faço parte da vida de alguém, é para ser a sério, sem ter de me andar a preocupar, sem ter de me sentir assim...

Bola de cotão escondida debaixo dos móveis, porque não houve tempo de limpar o pó e aspirar. E depois penso, simplesmente, why should I care?

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Dar-te as palavras todas

Dar-te as palavras todas,
poderia dar-te as palavras todas,
dizê-las bastava.

Poderia dar-te as palavras todas,
embebidas em espera triunfante,
com sabor a dor do amante.

Dizê-las bastava,
e fechas os olhos,
amanhã é sempre mais perto.


Do dia
em que não as quererás ouvir.